Costa propõe congresso na Comissão Nacional se Seguro não o fizer

Duelo adiado para a Comissão Nacional do Vimeiro, no sábado.

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Costa à saída da reunião com Seguro Enric Vives-Rubio

Mais de uma hora depois de ter chegado à sede do PS, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, confirmou nesta quarta-feira que se o actual líder, António José Seguro, não convocar eleições directas e um congresso extraordinário, será ele a fazê-lo.

“Naturalmente, apresentarei a proposta na Comissão Nacional para que haja congresso”, disse o socialista depois de ter defendido ser “útil que o PS faça um debate”.

Costa disse ter transmitido a sua posição favorável no sentido de Seguro “ponderar se toma a iniciativa”: “Desejo que haja congresso e serei candidato a secretário-geral nesse congresso”.

O edil de Lisboa argumentou depois contra a resistência de Seguro em convocar as directas e a reunião magna daquele partido: “Sou militante do PS desde os 14 anos, sei bem o que é o meu partido, sei bem que no meu partido não há a tradição de resolver administrativamente as questões que são políticas”.

E colocou depois a opinião pública atrás do seu entendimento. “Sinto que muitas vezes os cidadãos têm muitas perplexidades sobre o funcionamento interno dos partidos”, afirmou, antes de defender que a convocação devia ser “rapidamente resolvida”.

António José Seguro fez sair um comunicado poucos minutos depois confirmando o encontro e a posição de António Costa. "O secretário-geral do PS registou a posição do doutor António Costa", lê-se no pequeno texto. Sobre o seu entendimento em relação à convocação, por si, de eleições directas e de um congresso extraordinário, nada. O que, traduzido, quer dizer que Seguro só vai anunciar o que pretende fazer na Comissão Nacional

Depois de ter anunciado, na terça-feira, que está disponível para avançar para a liderança do PS, o partido agitou-se e começaram a arregimentar-se as hostes de parte a parte.

A direcção socialista fez saber que quem quiser um congresso terá de cumprir os estatutos, que não facilitam a disputa de liderança, um ano depois de ter havido um congresso em que Seguro reforçou a liderança.

De acordo com os estatutos do PS, o congresso nacional pode reunir-se extraordinariamente "mediante convocação da comissão nacional, do secretário-geral, ou da maioria das comissões políticas de federações que representem também a maioria dos membros inscritos no partido".

Já nesta quarta-feira Jorge Lacão demitiu-se da direcção do partido e declarou o apoio a António Costa, sendo a primeira "baixa" nos órgãos do partido na sequência da turbulência política interna. A Lacão seguiu-se, já ao final da tarde desta quarta-feira, Susana Amador, a presidente da Câmara de Odivelas que é também membro do secretariado nacional dos socialistas.