Líder do PCP acusa Governo de propagandear “intrujice” da saída limpa

Jerónimo de Sousa
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Jerónimo de Sousa Raquel Esperança

O secretário-geral do PCP acusou, este domingo, o Governo PSD/CDS-PP de propagandear a "intrujice" da saída limpa da ‘troika' com interesses eleitoralistas e como parte da sua estratégia para "golpear ainda mais fundo" o regime democrático.

"A intrujice que o Governo agora propagandeia da saída limpa é, na verdade, parte da sua estratégia para golpear ainda mais fundo o regime democrático e constitucional, negando, uma vez mais, o inalienável direito do povo a conhecer com rigor a situação em que o país se encontra e de poder decidir, de forma consciente, sobre o seu futuro", disse Jerónimo de Sousa, na aldeia alentejana de Baleizão, no concelho de Beja.

Segundo Jerónimo de Sousa, que falava no comício de encerramento da tradicional homenagem do PCP à trabalhadora rural Catarina Eufémia, assassinada há 60 anos, naquela aldeia, pelas forças do regime ditatorial do Estado Novo, trata-se de "uma manobra" do Governo "promovida por interesses eleitoralistas".

"Mas estamos seguros, certos, de que o povo português saberá responder no dia 25 de Maio", dia das eleições para o Parlamento Europeu, "com uma forte condenação deste Governo e dos que, como o PS, querem manter e perpetuar estas políticas", disse o líder do PCP.

Trata-se dos "mesmos partidos que amarraram o país ao ‘pacto de agressão' [assinado com a troika], subscreveram, igualmente, nas costas dos portugueses, outros acordos e tratados da União Europeia, como o tratado orçamental, que são um colete-de-forças, um espartilho, que não só impede o desenvolvimento soberano do país e a reposição dos direitos e rendimentos como levará à sua destruição", afirmou.

"A saída do 'pacto de agressão' é como sairmos do sal para cairmos na salmoura", disse o líder do PCP, referindo que "aí está o documento da estratégia orçamental para o período de 2014/2018 a demonstrá-lo", com "objectivos definidos de mais cortes nos salários e pensões, tornando o que era transitório e excepcional em definitivo e ordinário, mais impostos sobre os trabalhadores, o aumento da TSU e do IVA, maior redução dos direitos" nas áreas da saúde, da educação e da protecção social.

Evocando os 40 anos do 25 de Abril, Jerónimo de Sousa acusou o PS, o PSD e o CDS-PP de terem conseguido, "com a política de direita, os três juntos, destruir as conquistas" da Revolução dos Cravos, como a Reforma Agrária e os direitos dos trabalhadores.

Portugal "enfrenta uma grave crise económica, social e política, a mais aguda desde a Revolução de Abril" e "está numa encruzilhada, para onde 37 anos de política de direita e 28 anos de integração capitalista na União Europeia" o empurraram, lamentou.

Neste sentido, é necessário “unir, como os dedos da mão, os trabalhadores, a convergência dos democratas, dos patriotas para juntos enfrentarmos esta tentativa de nos fazerem recuar na história e destruírem tudo o que Abril nos trouxe", defendeu.