Ratings já começaram a subir, mas saída do "lixo" será lenta

Standard & Poor's e Moody's trouxeram boas notícias a Portugal. Ainda assim, as mudanças nos ratings serão feitas de forma moderada.

Agência volta a avaliar Portugal em Setembro
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Agência volta a avaliar Portugal em Setembro Mike Segar/Reuters

As agências de notação financeira internacional confirmaram esta sexta-feira que os ratings atribuído a Portugal iniciaram uma tendência de recuperação do terreno perdido, mas deixaram também claro que a subida para valores mais próximos dos registados antes da crise vai ser feita de forma muito moderada. E o país vai ter de passar os primeiros meses após o regresso em exclusivo ao financiamento de mercados com a maior parte dos seus ratings ainda em nível “lixo”.

Para esta sexta-feira estavam agendadas possíveis decisões de duas das principais agências internacionais sobre a classificação a atribuir à dívida soberana portuguesa e a expectativa geral era de fossem efectuadas melhorias nos ratings do país. Standard & Poor’s (S&P) primeiro e Moody’s depois confirmaram estas previsões.

A S&P, num anúncio feito logo pela manhã, manteve o rating em BB, mas melhorou a perspectiva (a tendência que o rating poderá vir a ter nos próximos meses) de “negativa” para “estável”. A Moody’s subiu o rating de Ba3 para Ba2, a primeira melhoria de classificação feita a Portugal por qualquer das três grandes agências de rating internacionais (S&P, Moody’s e Fitch) desde o início da crise da dívida soberana na Europa, depois de sucessivas desvalorizações que foram tornando ainda mais difícil a situação do país.

Se estas decisões, em especial a da Moody’s, constituem um importante momento de viragem, a verdade é que acabam também por comprovar que o processo de recuperação dos ratings por parte de Portugal vai ser feito de forma muito lenta.

No caso da S&P, que atribui um rating a Portugal que está no limite daquilo que é classificado pelo mercados como “lixo”, os mais optimistas tinham esperança que a agência passasse a sua perspectiva de “negativa” para “positiva”, abrindo a porta para uma saída mais breve do “lixo” para os títulos de dívida do país. A S&P optou no entanto por um passo mais moderado, que significa que a subida de rating ainda deverá demorar mais algum tempo (em princípio deverá ter de haver ainda uma mudança da perspectiva para “positiva”).

Em relação à Moody’s, que foi a agência que no auge da crise mais baixou o rating português, para três níveis abaixo da barreira do “lixo”, o cenário mais positivo seria uma subida de dois níveis, que aproximasse mais Portugal do “nível de investimento”. Mais uma vez, a Moody’s optou por uma evolução mais gradual, apesar de admitir nova melhoria do rating em breve. E ainda faltam dois níveis para sair da zona desconfortável.

Fica assim confirmado que Portugal irá iniciar a sua “saída limpa” com as três principais agências a classificarem os seus títulos de dívida como “lixo”~, algo que ainda se poderá prolongar por mais alguns meses. Entre as agências consideradas pelo BCE na análise da qualidade dos títulos aceites como colateral, apenas a DBRS, uma agência canadiana, atribui a Portugal um rating que tem “nível de investimento”,

Nos últimos meses, esse facto não tem impedido que os títulos de dívida do país registassem uma baixa acentuada das suas taxas de juro. Ainda assim, para o futuro – numa altura em que Portugal volta a estar totalmente dependente dos mercados para obter novos financiamentos – os investidores consideram importante que se concretize uma melhoria significativa dos ratings atribuídos. “Entre aquilo para o qual os investidores vão estar a olhar com mais atenção nos próximos meses em Portugal é a evolução dos ratings. É importante que se veja a este nível que já se está a virar a esquina”, afirma David Schnautz, analista do mercado de obrigações na Europa do banco alemão Commerzbank.