Professores de Matemática dizem que alunos portugueses estão “na média da OCDE”

Associação de Professores de Matemática reage a resultados do relatório PISA e alerta que actuais políticas educativas estão em "contracorrente" com as recomendações internacionais.

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No relatório estiveram envolvidos 85 mil estudantes de 44 países, incluindo 28 da OCDE Adriano Miranda

A Associação de Professores de Matemática (APM) considera que “Portugal está na média da OCDE” no que diz respeito aos resultados sobre a capacidade de resolver os chamados “problemas não rotineiros” no novo relatório PISA, divulgado na terça-feira, e que dizia que os alunos portugueses são melhores a executar tarefas do que a pensar em abstracto. Porém, os professores alertam que a actual política educativa está a ir no sentido contrário das recomendações internacionais.

O quinto volume do relatório PISA, divulgado nesta terça-feira, inclui os resultados dos testes feitos em computador a estudantes de vários países do mundo. Apesar de Portugal ter obtido uma classificação que segue a média dos países da OCDE, o relatório também frisa que os adolescentes portugueses são melhores a usar o conhecimento para planear e executar uma solução do que a lidar com conceitos abstractos. Portugal somou 494 pontos, quando a média dos países da OCDE é 500 – uma diferença que no relatório não é considerada estatisticamente relevante. Os alunos portugueses ficaram na 20.ª posição entre 44 países, sendo que este volume foi o primeiro a testar a resolução de problemas relacionados com o quotidiano.

A liderar a tabela estão os países asiáticos – Singapura, Coreia, Japão, Macau (China), Hong Kong (China). Neste relatório em específico, intitulado Resolução Criativa de Problemas: As competências dos alunos para lidarem com os problemas da vida real estiveram envolvidos 85 mil estudantes de 44 países, incluindo 28 da OCDE.

Num comunicado de reacção ao relatório, a APM sublinha que Portugal não apresenta “diferenças estatisticamente significativas de países como a Dinamarca, Irlanda, Noruega ou Áustria”. Contudo, para a associação, os melhores resultados, apresentados em países como o Japão, Estados Unidos ou Alemanha, são possíveis nos países que apostam em envolver mais os alunos em tarefas menos rotineiras “ao contrário daquilo que entre nós é preconizado no Programa de Matemática para o Ensino Básico (PMEB) homologado em 2013”.

“O desenvolvimento da capacidade da Resolução de Problemas é um dos grandes desafios há muito identificado na investigação em educação e o ensino da Matemática tem um papel determinante no seu desenvolvimento”, diz a associação, que lamenta que o programa de 2013 tenha abandonado alguma das premissas que faziam parte do programa de 2007.

“O que constatamos entre nós é que esta tendência internacional foi abandonada e substituída, no PMEB2013, por determinações que menorizam o papel da Resolução de Problemas na aprendizagem, reduzindo-a à mera aplicação de conhecimentos previamente adquiridos em cada capítulo, afastando-se assim das práticas que este relatório preconiza”, reitera a APM, alertando ainda para a “grave inversão que a actual tutela [do Ministério da Educação] está a provocar no ensino da Matemática no nosso país, configurada, entre outras medidas, pela mudança dos programas de Matemática do ensino básico e de Matemática A do ensino secundário”.

A associação conclui, ainda, que “as políticas educativas e as consequentes medidas agora em vigor virão dificultar – se não mesmo, contrariar – o caminho que, entre nós, já tinha sido encetado”, sublinhando que alterações curriculares estão a ser feitas em “contracorrente” com os estudos e recomendações internacionais.