Editorial

Uma cartada astuta no jogo da dívida

Mesmo com o ruído motivado pelo manifesto dos 70 (ou 74) ainda no ar, e talvez até por isso, Passos Coelho resolveu, pelo seguro, enviar uma carta a Seguro. É uma missiva cordata, com afirmações discutíveis e pressupostos cautelosos, destinada a convidar o líder do PS para uma reunião a realizar “tão brevemente quanto possível”. Isto porque, diz Passos, “os termos e as condições em concreto que marcarão a conclusão deste processo [o do Programa de Assistência Económica e Financeira] dependerão, em grande medida, não apenas da envolvente externa mas também da capacidade portuguesa para apresentar uma estratégia pós-troika”. E Passos quer discuti-la com o líder do maior partido da oposição. Cartada astuta, que até acena com crescimento e emprego. E Seguro, como na célebre canção, já disse que sim. O que pode vir a ser um caminho para dizer que não, sem que isso retire os trunfos ao primeiro jogador.