Portugal coloca 3000 milhões de dívida a 5,11%

Procura total da emissão a 10 anos superou em mais de três vezes a oferta.

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Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças Rui Gaudêncio

Portugal obteve esta segunda feira no mercado o financiamento de 3000 milhões de euros a 10 anos que desejava. A taxa de juro obtida foi de 5,11%.

De acordo com os resultados finais agora conhecidos, a emissão de obrigações de tesouro realizada cumpriu a meta de 3000 milhões de euros que tinha sido definida pelo Governo, graças a uma procura que atingiu os 9300 milhões de euros, ou seja, mais do triplo da oferta que acabou por ser concretizada.

Em Maio do ano passado, Portugal realizou uma emissão de dívida a dez anos com a taxa de juro a ficar nos 5,669%, tendo a procura atingido os 10.000 milhões de euros. No início do passado mês de Janeiro, foi realizada uma emissão de 3100 milhões de euros a cinco anos, com uma taxa de juro de 4,657% e uma procura total de 11.200 milhões de euros.

Nos mercados secundários (onde os investidores trocam títulos entre si), as taxas de juro implícitas dos títulos a dez anos estavam no início do dia em 4,9%, ou seja, ligeiramente abaixo do valor a que acabou por ser feita a emissão. Esta pequena diferença é habitual nas emissões de dívida. 

Para Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, "a procura alta para a dívida a longo prazo é um sinal muito positivo", o que mostra que o Governo soube aproveitar a oportunidade trazida pela queda recente das taxas de juro nos mercados.

A emissão foi realizada por um sindicato bancário constituído pelo Barclays, BES, Citi, Crédit Agricole, Société Générale e RBS e constitui a segunda operação de financiamento a longo prazo para a qual o tesouro português decidiu avançar este ano, acelerando deste modo o processo de regresso aos mercados.

Esta operação deverá garantir ao Estado português o financiamento necessário para a totalidade de 2014 e começar já a preparar terreno para 2015. A estratégia do Governo — imitando o que fez a Irlanda — é a de, ainda antes do final do programa da troika em Maio, garantir uma almofada de financiamento muito confortável que reduza a pressão para realizar mesmo em condições adversas operações de colocação de dívida nos mercados.