Senhor Vadio em estreia, com toda a tradição atrás

O fundador dos Frei Fado d’El Rei e dos Atlantihda apresenta-se neste domingo com novo grupo na Casa da Música. Chamou-lhe Senhor Vadio.

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Senhor Vadio DR

Vadios haverá muitos, mas Senhor Vadio há só um. É um grupo novo, ligado à tradição musical popular portuguesa, e apresenta neste domingo na Casa da Música, às 21h, o seu disco de estreia.

Começar pelo Porto tem razão de ser. Foi no Porto que José Flávio Martins nasceu e foi a partir do Porto que ele foi criando projectos musicais como os Frei Fado D’El Rei, Ceia dos Monges, Roldana Folk, Lúmen, Atlantihda (que tiveram por vocalista Gisela João) e, agora, o Senhor Vadio. Um nome que tem algo de auto-retrato, como diz ao PÚBLICO o seu fundador: “É muito simples. Em lugar de lhe chamar um nome próprio, o meu, baseei-me naquilo que eu vim fazendo ao longo destes anos, que foi uma fusão musical, uma vadiagem, no bom sentido da palavra.”

O disco que é hoje apresentado no Porto (em Lisboa tem apresentação marcada a 15 de Fevereiro no Auditório do Metro, no Alto dos Moinhos, às 21h30) chama-se Cartas de Um Marinheiro e tem uma série de convidados, todos eles músicos com que José Flávio trabalhou ao longo da sua carreira. Há canções retomadas de grupos anteriores, mas com novas versões, e vários inéditos. “Este é um outro olhar, com a maturidade destes 23 anos”, diz. “No fundo, é uma continuidade do que eu vinha fazendo, mas com um olhar mais contemporâneo. Cruzamentos com o jazz, alguma música de influência celta ou hispano-árabe. Isto só foi possível com este colectivo.”

O grupo foi criado há dois anos e o disco foi gravado, numa primeira fase, em ensemble, numa casa de turismo rural. “Foi em Ponta da Barca, numa zona lindíssima. Depois fizemos um percurso de descentralização, porque o disco tem vários convidados. Fomos ao Algarve gravar a Helena Soares, subimos a Lisboa para gravar o João Gil e o Jorge Fernando, depois o Manuel Rocha da Brigada Victor Jara em Coimbra e o resto dos convidados gravámo-los no Porto: a Daniela Pinhel, o Hugo Sanches, o Rodrigo Viterbo, a Diana Bastos... Foi uma grande epopeia.”