Lusófona não vai proibir praxes na sequência da tragédia do Meco

Administrador da universidade diz que o que se passou foi um “acidente” e que jovens estavam a “divertir-se”.

Seis alunos da Lusófona foram levados pelo mar na madrugada de 15 de Dezembro
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Seis alunos da Lusófona foram levados pelo mar na madrugada de 15 de Dezembro AFP/FRANCISCO LEONG

O presidente do conselho de administração da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias anunciou nesta terça-feira que a instituição não vai proibir as praxes na sequência da tragédia de Dezembro que vitimou seis dos seus alunos na praia do Meco, em Sesimbra.

Ouvido pela SIC, Manuel de Almeida Damásio considerou que o que se passou a 15 de Dezembro no Meco foi um “acidente” e comparou-o ao naufrágio ocorrido uma semana depois na Costa da Caparica, quando seis tripulantes de um barco desportivo morreram depois de a embarcação se ter virado.

Para o administrador da Lusófona, onde está em curso um inquérito interno para apurar as circunstâncias em que os alunos morreram, não há motivos para associar o sucedido a uma praxe, até porque houve quem os visse na tarde de 15 de Dezembro na zona do Meco a “fazer brincadeiras” e a “divertir-se”.

Sobre a decisão de não interditar as praxes, Manuel de Almeida Damásio justificou-a com o facto de a universidade não ser “a favor de censuras”. E acrescentou: “Todos os dias morrem pessoas nas estradas e não vamos proibir alguém de andar na estrada”.

Os seis jovens da Universidade Lusófona de Lisboa morreram na madrugada de 15 de Dezembro após terem sido levados pelo mar. Apenas o chamado "dux", nome que é dado ao chefe máximo da praxe, sobreviveu, mas tem permanecido em silêncio desde então. Alguns pais das vítimas tentaram, entretanto, obter informações junto do jovem e junto do Conselho Oficial da Praxe Académica da Lusófona, sem sucesso. O caso está neste momento a ser investigado pelas autoridades e sob segredo de justiça.

No sábado ao final da tarde, os pais pediram a todas as pessoas que possam ajudá-los a esclarecer o sucedido para usarem uma conta de e-mail que tinham acabado de criar — tragedia.meco@gmail.com. Em pouco mais de 24 horas chegaram-lhes mais de 80 mensagens, “algumas de muito interesse”, segundo explicou na altura ao PÚBLICO a mãe de uma das vítimas.

Entretanto, o ministro da Educação convocou as associações de estudantes para debater o tema das praxes já nesta semana. A tutela diz estar a acompanhar “com toda a atenção” os incidentes mais recentes relacionados com o assunto. O ministério dirigido por Nuno Crato pretende “discutir e estudar” com os alunos das instituições de ensino superior, quer públicas, quer privadas, “as melhores formas de prevenir este tipo situações, de extrema gravidade”. Os representantes das universidades e dos institutos politécnicos públicos também vão ser ouvidos pela tutela acerca da mesma questão.