PCP e BE acusam PS de ceder na reforma do IRC

Bancadas reagem ao acordo entre os três partidos.

O PCP e o BE acusaram esta quinta-feira o PS de ter desistido de algumas bandeiras e ceder numa reforma do IRC que vai "beneficiar os grandes grupos económicos". O CDS, por seu turno, congratula-se com o entendimento.

Paulo Sá, deputado do PCP, defendeu que o acordo alcançado entre PSD, CDS e PS sobre o IRC "não se traduz numa grande vantagem para as pequenas e médias empresas", já que se fixou uma taxa de 17% para 15 mil euros de lucro, quando o PS tinha proposto 12% para os primeiros 12.500 euros de lucro. "É uma prenda de Natal para as grandes empresas", disse o deputado comunista, depois de ontem o próprio António José Seguro, secretário-geral do PS, ter dito que era uma "prenda de Natal para as pequenas e médias empresas".

O deputado do PCP considera que esta reforma "vai beneficiar as grandes empresas" em medidas como o aumento do período de reporte de lucros de cinco para 12 anos e porque vai reduzir a taxa global do IRC.

Na mesma linha, o líder da bancada bloquista, Pedro Filipe Soares, afirma que "o PS deixou cair algumas das suas bandeiras, nomeadamente o que considerava ser um "ataque" à dupla tributação e a que se junta "uma redução do valor global da taxa que vai beneficiar as grandes empresas". "O casamento foi uma cedência à maioria", concluiu o deputado bloquista.

O CDS, por seu turno, pela voz do seu líder parlamentar, considerou "muito importante este consenso", que garante estabilidade à reforma do IRC. Quanto às empresas mais beneficiadas com as novas medidas, Nuno Magalhães contraria as bancadas mais à esquerda ao dizer que "as pequenas e médias empresas vão pagar menos e vão ter menos burocracia, as médias empresas vão ser incentivadas e as grandes empresas têm menos benefícios". "Um entendimento requer fazer cedências e obter cedências", afirmou Nuno Magalhães.