Richard Branson deixa o Reino Unido. Fuga aos impostos ou amor à praia?

O dono da Virgin decidiu mudar-se para a sua ilha privada nas Ilhas Virgens Britânicas, onde não terá de pagar tantos impostos.

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Richard Branson Frederic J. BROWN/AFP

Richard Branson, empresário multimilionário, dono da Virgin, decidiu deixar o Reino Unido e mudar-se para a ilha de Necker, nas Ilhas Virgens Britânicas, onde poderá pagar menos impostos, segundo avançou este domingo o Sunday Times.

Branson começou por vender a sua casa, em Oxfordshire, no Sul de Inglaterra, aos seus dois filhos por 1,6 milhões de euros. 

Tudo acontece numa altura em que o Governo britânico, liderado por David Cameron, veio mudar as regras relativas aos impostos sobre os lucros obtidos fora do Reino Unido, reflectindo-se nos empresários que têm investimentos fora do país. Richard Branson é um deles.

Contudo, segundo o Sunday Times, em Abril, o empresário britânico tinha dado a conhecer a sua opinião sobre os cidadãos que abandonavam o país para fugir aos impostos. “Não acho que as pessoas devam deixar o Reino Unido por causa do nosso sistema de impostos”, disse Branson, citado pelo jornal britânico, acrescentando ser um sistema “razoável” quando comparado com países como a França.

Perante a notícia de que Richard Branson tinha deixado o Reino Unido para fugir aos impostos, o empresário veio esclarecer que não era por essa razão que se mudava para a sua ilha privada. “Não deixei o Reino Unido por causa dos impostos, mas pelo meu amor pelas lindas Ilhas Virgens Britânicas e em particular a ilha de Necker, que eu comprei quando tinha 29 anos, há 34 anos”, escreveu no seu blog.

“Passei 40 anos a trabalhar dia e noite”, acrescenta. “As empresas que criei do zero geraram dezenas de milhares de postos de trabalho e pagaram milhões em impostos (e continuarão a fazê-lo)”.

Branson acrescentou ainda que para além do trabalho que faz a partir da ilha de Necker, também viaja pelo mundo “a partilhar" o que aprendeu, em discursos e conferências: “100% do que ganho nesses encontros dou para a caridade. Isso chega a muitos milhões por ano”.