Empresas oferecem salários 11% mais baixos a novos contratados

Cálculo baseia-se em saídas e entradas de trabalhadores de empresas.

Ao apostar em salários baixos, Portugal está a promover o trabalho não-qualificado
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Ao apostar em salários baixos, Portugal está a promover o trabalho não-qualificado ADRIANO MIRANDA

As empresas que, no ano passado, registaram entradas e saídas de trabalhadores ofereceram salários 11% mais baixos aos funcionários contratados, em comparação com os vencimentos auferidos por aqueles que saíram em 2011, revelou esta terça feira o Banco de Portugal, no Boletim Económico de Outono.

Este efeito salarial na rotação dos trabalhadores nas empresas  que envolveu 776 mil pessoas é o principal contributo para uma redução do nível salarial em 2012. Ao mesmo tempo, refere o banco central, o aumento da duração do desemprego reflecte-se numa “penalização salarial no retorno ao emprego”.

Entre os que mantiveram o seu emprego ainda se registou, em média, um ligeiro acréscimo de salários. No entanto, 23% desses trabalhadores tiveram uma redução de salário, um agravamento face ao ano anterior.

A degradação das condições económicas em Portugal foi acompanhada por uma queda do emprego, um aumento acentuado dos níveis de desemprego e, enfatiza o Banco de Portugal, por uma “moderação salarial”. Em 2011, 22% dos trabalhadores tiveram uma redução das remunerações, fracção que aumentou para 23% no ano seguinte.

Depois da polémica que envolveu o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Governo sobre uma alegada deturpação de dados sobre reduções salariais de trabalhadores referido por aquela instituição, o Banco de Portugal vem agora clarificar alguns dados sobre a evolução recente dos salários no mercado de trabalho português.

Numa análise centrada no “processo de ajustamento no mercado de trabalho”, a instituição liderada por Carlos Costa refere um aumento “significativo” do número de trabalhadores que tiveram uma diminuição de remunerações e alerta para as consequências dessa redução na produtividade.

Perto de 16% dos trabalhadores tiveram uma diminuição na remuneração base. Ao mesmo tempo, entre os trabalhadores por conta de outrem que em 2011 e 2012 trabalhavam para a mesma empresa, 31,9% não tiveram variações nominais de salário. E dos trabalhadores que mantiveram o mesmo empregador (sem alterações de remuneração), 18,6% recebia o salário mínimo.

Para o Banco de Portugal, o ajustamento dos custos salariais surge “em resposta aos choques negativos de procura” e pode resultar não só da remuneração dos trabalhadores que permanecem na empresa em dois períodos consecutivos, mas também da rotação de trabalhadores. “Para estes trabalhadores, a redução de remuneração pode ter origem quer num menor número de horas trabalhadas (e de pagamento de trabalho suplementar), quer numa diminuição da remuneração permanente ou de componentes não permanentes”, explica o banco central.

Notícia corrigida às 17h18
Inicialmente, escreveu-se que a redução de 11% estimada pelo Banco de Portugal se referia às remunerações dos trabalhadores que perderam o emprego e encontraram um outro. No entanto, os dados do banco central referem-se à remuneração média dos trabalhadores que entraram numa empresa em 2012, em relação aos trabalhadores que cessaram contrato no ano anterior.