Activistas do Greenpeace acusados de pirataria na Rússia

Pelo menos 14 militantes que protestavam contra exploração de petróleo no Árctico podem ser presos por 15 anos.

A brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, no tribunal de Murmansk
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A brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, no tribunal de Murmansk Greenpeace
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Agentes de segurança russas abordaram o navio da Greenpeace a partir de um helicóptero Greenpeace
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Os trinta activistas e tripulantes a bordo foram detidos Greenpeace
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A Greenpeace protestava contra a exploração de petróleo no Árctico Greenpeace
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Ministério Público acusou de pirataria pelo menos cinco activistas Greenpeace

Pelo menos 14 militantes da organização ambientalista internacional Greenpeace foram acusados de pirataria pelas autoridades russas e podem ser condenados a uma pena máxima de 15 anos de prisão.

No princípio da manhã (hora de Lisboa) desta quarta-feira, a Greenpeace anunciou, num comunicado, que dois activistas tinham sido formalmente acusados pelo Ministério Público – a brasileira Ana Paula Alminhana e o fotógrafo britânico Kieron Bryan. Ao final da tarde, já eram 14 os acusados.

Trinta activistas da organização foram detidos há duas semanas, durante um protesto contra a exploração de petróleo no Árctico. Os militantes tentaram escalar uma plataforma da empresa petrolífera Gazprom, num protesto semelhante a muitos outros levados a cabo pela organização ao longo da sua história. O seu navio Arctic Sunrise acabou por ser tomado por agentes especiais russos, a partir de um helicóptero.

O Presidente russo Vladmir Puttin já se pronunciara sobre o caso, dizendo que os militantes não eram piratas, mas tinham violado as leis internacionais. O Ministério Público, porém, acabou por prosseguir com a acusação de pirataria.

“Uma acusação de pirataria está a ser aplicada a homens e mulheres cujo único crime é ter consciência”, disse o director-executivo da organização, Kumi Naidoo, no comunicado. “Esta é a ameaça mais séria ao activismo ambiental pacífico da Greenpeace desde que agentes do serviço secreto francês fizeram explodir uma bomba no Rainbow Warrior e mataram o nosso colega Fernando Pereira, porque protestávamos contra os testes nucleares franceses no Pacífico”, acrescentou, referindo-se a um episódio ocorrido em 1985 com outro navio da Greenpeace. Fernando Pereira era português, naturalizado holandês.

Fotos divulgadas pela Greenpeace mostram o momento em que o Arctic Sunrise é tomado por agentes de segurança russos e, posteriormente, os detidos presentes a um tribunal em Murmansk, em jaulas. O tribunal tinha já decretado a prisão preventiva dos activistas por dois meses.

Notícia actualizada às 18h44: número de acusados subiu de cinco para 14.