Juros da dívida portuguesa baixam mas não descolam da barreira dos 7%

Pressão sobre títulos de dívida a dez anos aliviou nos últimos dias, seguindo a tendência das Obrigações do Tesouro da Irlanda e da Grécia.

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Passos admite que as taxas de juro acima de 7% colocam Portugal numa posição difícil Nuno Ferreira Santos

As taxas de juro da dívida portuguesa com um prazo de dez anos, há três semanas a negociar acima da barreira dos 7%, estão nesta sexta-feira em sentido descente, aliviando do movimento que registaram ao longo do mês de Setembro no mercado secundário.

A taxa de juro implícita no mercado de revenda de Obrigações do Tesouro naquele prazo mantém-se, ainda assim, nos 7,08%. O valor consta de dados da agência Reuters, a fonte do PÚBLICO para a evolução das Obrigações do Tesouro no mercado secundário, onde entre investidores privados são comunicadas intenções de compra e realizadas transacções de títulos de dívida dos Estados.

O movimento dos juros da dívida portuguesa segue a tendência dos títulos da Irlanda (nos 3,9%) e Grécia (9,8%) que vencem ao fim de dez anos, enquanto nas obrigações de Itália (4,5%) e Espanha (4,4%) se regista uma subida dos juros.

Num comentário de mercado publicado no site do BPI, o banco sublinhava que o recente movimento de descida dos juros, já notado nos últimos dias, não tem tido um impacto visível nas acções da Bolsa de Lisboa e enfatizava: “A grande questão é saber se este recuo se deveu apenas a factores técnicos ou se a uma alteração da percepção do risco do país”.

Embora tenha realizado, na primeira metade deste ano, duas emissões de dívida de médio-longo prazo, o Tesouro português continua fora do mercado para emitir dívida que satisfaça as necessidades de financiamento do Estado (11.500 milhões de euros em 2013), coberto pelos empréstimos da troika e por financiamento obtido em leilões de títulos de dívida de curto prazo (três, seis meses e um ano).

O facto de, no mercado secundário, os juros persistirem acima do patamar dos 7% (já nos títulos a cinco anos estão nos 6,4% e em 5,6% a dois anos) é considerado por analistas um sinal de que o país poderá não conseguir ir ao mercado a taxas de juro sustentáveis no próximo ano quando terminar o programa da troika, enquanto a Irlanda, a discutir a saída do programa de resgate, está já distante daquela barreira. O próprio primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já admitiu que o facto de as taxas de juro continuarem acima de 7% coloca Portugal numa posição difícil.

Se o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, marcara no calendário a última segunda-feira (23 de Setembro) como “a data crucial” no processo de regresso de Portugal aos mercados financeiros por ser o dia em que o Tesouro amortizou dívida, o Governo acena já com a possibilidade de um segundo resgate ou um “programa cautelar” em que o Banco Central Europeu (BCE) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) apoiariam Portugal nas operações de financiamento no mercado primário.