Ministro da Educação falará ainda esta quarta-feira sobre exames de Matemática

Gave vai fazer provas de admissão para professores.

Na próxima semana há exames para os alunos do 4.º ano do básico
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Na próxima semana há exames para os alunos do 4.º ano do básico PÚBLICO/Arquivo

O ministro da Educação e Ciência afirmou, no fim da reunião do conselho de ministros, que ainda esta quarta-feira dará informações sobre o adiamento ou não dos exames de Matemática dos 6.º e 9.º anos, marcado para 27, dia de greve geral.

“O Ministério da Educação e Ciência terá em conta, em primeiro lugar, o interesse dos alunos e de todas as condicionantes que existam à volta dos exames”, disse Nuno Crato, esclarecendo que no Conselho de Ministros o assunto foi abordado, mas não foi tomada qualquer decisão relativa a estas provas ou à de Português, que na segunda-feira não foi feita por cerca de 20 mil alunos devido à greve dos professores.

Representantes dos directores e das associações de pais reclamam a alteração de data dos exames de dia 27. Mas Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), admitiu na terça-feira, em declarações ao PÚBLICO, não saber que data propor. Na semana passada pedira a anulação da prova caso todos os alunos não a conseguissem realizar, mais tarde recuou, alegando que, afinal, essa solução não seria justa para aqueles a quem o exame corresse bem.  E na, segunda-feira, congratulou-se com a escolha do dia 2 de Julho para a realização do exame de Português por parte estudantes que se viram impedidos de o fazer, por falta de professores. Mas, um dia depois, contou que já fora contactado por pais a queixarem-se de que “a data é desadequada e está a causar problemas às famílias” que contavam já estar livres, nessa altura.

Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), disse também já ter recebido reclamações de pais sobre a escolha do dia 2 de Julho.

Os pedidos de solução em relação ao que aconteceu segunda-feira têm esbarrado na dificuldade dos representantes dos pais em chegar a soluções consensuais. “Qualquer posição que tomemos vai prejudicar alunos. Se pedirmos a anulação da prova de Português prejudicamos aqueles a quem correu bem; se o não fizermos estes são prejudicados porque os outros vão ter mais 15 dias para estudar; se defendermos que todos devem poder fazer a prova de 2 de Julho e os que a realizaram ontem escolhem a nota melhor, estamos prejudicar os que só realizaram um exame”, enumera Isidoro Roque, da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap), que acusou o ministério de, ao não adiar o exame, ter criado “uma situação de injustiça e de desigualdade que é impossível de ultrapassar”.

Gave vai fazer provas para professores
No Conselho de Ministros desta quarta-feira foi aprovado aquilo a que Nuno Crato chamou “a  desgovernamentalização do Gabinete de Avaliação Educativa (Gave), que deixa a administração directa da tutela e passa a instituto público, ganhando “uma grande independência do poder político”, disse o ministro. O objectivo mantém-se: produzir “exames e outras provas fiáveis e estáveis”, entre as quais, adiantou Crato, “as provas de admissão à carreira docente, que estão previstas no programa de Governo”.

O ministro especificou que o GAVE será um instituto público de regime especial, com autonomia administrativa e financeira e que o MEC terá apenas três representantes entre as 12 pessoas que vão constituir o Conselho Geral, que por sua vez nomeará as personalidades que poderão integrar o conselho directivo (e que terão de ser confirmadas pelo Conselho de Ministros). Está também previsto um conselho científico, constituído por sociedades científicas e associações de professores, disse o ministro, já existe informalmente, mas “passa a ter uma maior projecção dentro do instituto”.