Passos quer “entendimento de longo prazo” sobre reforma do Estado

Primeiro-ministro defendeu aposta na formação e disse estar disposto a fazer um novo acordo de concertação social mais voltado para o crescimento, mas alertou que isso não pode ser feito sem pagar as dívidas.

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O primeiro-ministro considerou nesta quarta-feira que a sociedade e as empresas precisam “de cooperar mais” e que o país “precisa de um entendimento de longo prazo sobre as bases essenciais do crescimento e da reforma” do Estado.

“Da mesma maneira que o Estado precisa de um entendimento de longo prazo sobre as bases essenciais do crescimento e da sua reforma, precisamos na sociedade de ser mais cooperativos, de juntar engenho, força e capacidade de trabalho”, afirmou Pedro Passos Coelho. O líder social-democrata discursava num encontro com os Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD) no âmbito do Dia do Trabalhador, num hotel em Lisboa.

Na sua intervenção, Passos disse que o país “precisa de criar mais riqueza” e que para isso “não basta gastar dinheiro”, mas “aplicá-lo bem, em obras, acções e projectos que sejam reprodutivos”. O social-democrata criticou depois o “modelo enganador” de crescimento do país e o tempo em que “as inaugurações eram mais importantes”.

O primeiro-ministro defendeu que é preciso que os cidadãos possam “acrescentar valor às suas empresas, produtos, serviços” e “qualificar mais a nossa força de trabalho”, com maior “ligação entre universidades, centros de investigação e as empresas”.

Passos referiu que essa “estratégia” só funcionará se garantir “de um lado que as finanças públicas são mais sustentáveis” e tiver “elementos de motivação e crescimento para a economia”.

Novo acordo de concertação social
No mesmo discurso, Passos disse estar disponível para discutir um novo acordo de concertação social sobre o crescimento económico e o emprego, sustentando que a realidade mudou e que é preciso “adaptar as coisas”.

“Precisamos de que haja realismo suficiente dos partidos e dos sindicatos para que os portugueses não ouçam o debate público como um debate de surdos, precisamos de criar condições para que nos possamos ouvir em Portugal”, afirmou. O chefe do executivo e presidente do PSD referiu que o documento para o crescimento e emprego lançado pelo Governo começou a ser preparado no Verão passado e agora “precisa de dar frutos”. “Não foi uma moda e porque achámos que se devia acabar com a conversa da austeridade e começar a conversa do crescimento, são duas faces da mesma moeda”, salientou Pedro Passos Coelho.

Neste contexto, Passos disse existir abertura do Governo para propostas de outras áreas políticas, “dos parceiros sociais e em particular da UGT” (central sindical), e que “se isso for o princípio de um novo acordo social que o seja”.

“Problema não está nas taxas de juro mas na dívida”
Ainda a propósito da austeridade, o primeiro-ministro defendeu que o problema do país “não está nas taxas de juro, mas na dívida” acumulada e que para Portugal “ganhar qualidade creditícia” as contas “têm de bater certo”. “Há um mito que se instalou e eu gostaria de deixar um contributo para o afastar, que é o de que o Governo só não corta nos juros se não quiser”, declarou Passos Coelho.

Pedro Passos Coelho advertiu que é preciso “encontrar um entendimento sobre a realidade e não sobre a ficção” e que, “se fosse em razão dos juros”, o país devia “preferir ficar a vida inteira sob a assistência económica e financeira”, já que nunca pagou “juros tão baixos”.

“Nós pagámos em 2012 qualquer coisa como 7,5 mil milhões em juros de dívida pública, foi o maior programa orçamental, mais do que a saúde, a educação e a segurança social, mas nunca as taxas de juro foram tão baixas em Portugal. Não é preciso, portanto, dominar grande aritmética para perceber que o problema não está na taxa de juro, mas na dívida, que é grande”, sustentou.