Boston: polícia anuncia morte de um suspeito e continua à procura de outro

Operação em curso em Watertown, nos arredores de Boston. Segundo suspeito está em fuga e é considerado perigoso. Transportes públicos da área metropolitana foram suspensos e habitantes aconselhados a ficar em casa.

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Supeito n.º 2, ainda em fuga
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À equerda, o suspeito n.º 1, que está morto
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A polícia prometeu uma busca incessante em Watertown
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Estradas foram isoladas e a busca foi feita "casa a casa"
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O coronel Timothy P. Alben confirmou a morte de um dos homens procurados pela polícia
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Homem deitado no chão, por ordem da polícia, em Watertown

A polícia de Massachusetts anunciou na madrugada de sexta-feira (manhã em Lisboa) a morte do primeiro suspeito do atentado na maratona de Boston de segunda-feira, e uma operação em curso para deter o segundo.

Em Watertown, na área metropolitana de Boston, há uma zona de 20 quarteirões em "lockdown" (isolados) e a polícia fez um anúncio destinado à segurança pública: "Não saiam das vossas casas. Se alguém vos bater à porta, que não seja um polícia fardado, telefonem para o 911. Se ouvirem algo, telefonem para o 911", aconselhou o chefe da polícia de Massachusetts, Timothy Alben. O aviso foi entretanto estendido a toda a cidade de Boston.

Em Watertown, a polícia está a fazer buscas casa a casa. Foi ainda anunciada uma explosão controlada na zona. 

Os transportes públicos - autocarros e metro - da área metropolitana de Boston foram suspensos por tempo indeterminado, e o espaço aéreo foi encerrado. A polícia aconselhou as pessoas a regressarem a casa e não ficarem à espera que a situação normalize. 

"Há uma busca a decorrer para encontrar o suspeito n.º 2", tinha dito Alben na conferência de imprensa da madrugada. "Vocês viram as imagens: é um indíviduo de pele clara ou caucasiano, cabelo encaracolado, que aparecia de boné branco. Está armado e será uma ameaça para qualquer pessoa que se cruze com ele."

O "suspeito n.º 1", que aparecia nas imagens divulgadas pelo FBI com óculos escuros e boné preto, está morto, confirmou a polícia. O FBI tinha divulgado, há menos de 24h, fotografias e videos dos dois suspeitos e tinha pedido ajuda à população para a identificação dos suspeitos.

O homem terá morrido já no hospital de Beth Israel, com vários ferimentos. Um dos médicos de serviço tinha ido para o hospital depois ouvido o alvoroço em Watertown, onde mora, mesmo sem saber do que se tratava, temendo que pudesse haver feridos. É neste hospital que estão também a ser tratadas várias vítimas do atentado.

Durante a noite houve um tiroteio em Cambridge, entre Boston e Watertown, no campus do MIT, que levou à morte de um polícia. A polícia confirmou entretanto que os suspeitos do atentado na maratona são também suspeitos da morte do polícia no MIT, concretizando o que era uma especulação devido aos casos terem acontecido numa área geográfica próxima. Na perseguição, um polícia de trânsito ficou ferido com gravidade.


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Boston vive dias particularmente agitados desde que na última segunda-feira se registaram duas explosões de bombas artesanais que mataram três pessoas e fizeram mais de 170 feridos. O atentado ocorreu junto à linha da meta da maratona de Boston (a mais antiga do planeta, com excepção da maratona olímpica).

Conferência de imprensa às cinco da manhã
Com sirenes e luzes a meio da madrugada, o cenário parecia de filme. Depois das notícias de tiros e explosões, jornalistas começaram a chegar a Watertown, a cerca de dez quilómetros de Boston. O ambiente era de tensão: “Se quiserem viver, desliguem o telemóvel”, disse-lhes um polícia, conta a BBC. Temia-se que a utilização de telemóveis pudesse activar explosivos. 

Um residente em Watertown, Andrew Kitzenberg, 29 anos, contou ao New York Times que, da sua janela, viu parte da perseguição. Dois homens numa troca de tiros “constante” com a polícia. Um veículo da polícia estava a ir contra os dois homens, mas estes dispararam contra ele, até os polícias perderem o controlo da viatura. Os dois suspeitos tinham ainda uma bomba, e “ainda no meio da troca de tiros, atiraram-na contra os polícias, mas não chegou muito longe”. Kiztenberg viu então os homens correr em direcção aos polícias. Não tem a certeza do que aconteceu ao primeiro, o segundo conseguiu entrar num veículo da polícia e fugir.

As autoridades não têm a certeza se o suspeito terá deixado este carro e seguido a pé, ou se terá conseguido seguir a fuga noutro carro.

Os dois deixaram algumas mochilas perto do carro, estas estavam agora a ser analisadas por um robot anti-bomba.

Minutos depois, a polícia veio falar, numa conferência de imprensa por volta das cinco da manhã locais: “Há uma busca activa por equipas em Watertown. Aconselhamos as pessoas a ficarem em casa e manterem-se em segurança”.

O MIT, por outro lado, esteve também cercado por polícia e encerrado, e anunciou o cancelamento das aulas durante esta sexta-feira. A Universidade de Boston e Harvard encerraram também.