Martin estava na linha da meta e morreu na explosão

Quem foi correr a Maratona de Boston esperava que a meta fosse um lugar de conquista. Afinal, tornou-se num palco de perdas.

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E de repente, os aplausos e os gritos de incentivo deram lugar ao choro e aos gritos de horror. Havia sangue, vidros e pó por todo o lado. As tendas médicas instaladas na zona da meta para dar apoio aos corredores transformaram-se em autênticos hospitais de campanha. As imagens mostram pessoas ensanguentadas a serem levadas em braços, outras em cadeiras de rodas, pessoas a fugir e outras a ajudar os feridos com torniquetes improvisados.

Tapar os olhos
“Começaram a trazer as pessoas sem membros”, descreveu ao Daily Mail Tim Davey, um dos corredores que estava numa das tendas de apoio. A mulher, Lisa, tentou tapar os olhos aos filhos para que não vissem os feridos que iam chegando, com fracturas expostas, com os pés e as pernas amputados e com cortes no corpo. Um autêntico cenário de guerra.

Nickilynn Estologa, estudante de enfermagem que estava a fazer voluntariado numa das tendas, disse que viu várias crianças feridas e algumas pessoas mais velhas, na casa dos 60 anos. “Alguns estavam a sangrar da cabeça, tinham pedaços de vidro espetados na pele”, disse ao Daily Mail. “Uma pessoa tinha carne arrancada da perna, estava simplesmente pendurada”, contou, num desabafo.

O balanço oficial mais recente dá conta de três mortos – além de Martin, morreu uma mulher com cerca de 20 anos, segundo o Daily Mail, e não há informação sobre a terceira vítima. Um dos espectadores, Allan Panter, que aguardava a chegada da esposa, estava junto à mulher que morreu. “Vi pelo menos seis a sete pessoas no chão ao meu lado, protegeram-me da explosão. Uma senhora morreu, um homem perdeu ambas a pernas. (…) Não sei por que é que senhora morreu, não lhe encontrei qualquer ferimento no tórax”, conta Allan Panter à CNN.

Além das vítimas mortais há ainda 144 feridos, dos quais 17 em estado crítico. Algumas são corredores, que ainda tinham a t-shirt vestida, com o respectivo número de inscrição. Pelo menos dez pessoas foram amputadas. É o caso de dois irmãos que foram ver um amigo correr. Cada um deles perdeu uma perna, do joelho para baixo. Um tem 31 anos, o outro 33, segundo o Boston Globe. A mãe, Liz Norden, recebeu a notícia por telefone assim que chegou a casa depois das compras. Do outro lado, ouviu um dos filhos dizer “Mãe, estou muito ferido”. Estava na ambulância a caminho do hospital.

Segundo o Daily Mail, pelo menos oito feridos são crianças, incluindo um bebé de dois anos que estava na plateia a assistir à chegada dos corredores à meta. Ficou com ferimentos na cabeça. Uma menina de nove anos teve de ser operada à perna e um rapaz de 12 anos chegou ao hospital com uma fractura do fémur.

Os médicos não tiveram mãos a medir. A maior parte das vítimas apresentava ferimentos causados por objectos que normalmente se encontram em caixotes do lixo e na rua. “Pedras, pedaços de metal, latas de refrigerante”, descreveu um responsável das urgências do Brigham and Women’s Hospital, acrescentando que não encontrou nos ferimentos estilhaços de metal nem rolamentos. "Tudo o que vimos foi material comum que pode ter sido impulsionado pelo engenho explosivo", sublinhou, rematando: "Nunca vi nada como isto antes".

No entanto, em declarações à Reuters, uma fonte relacionada com a investigação explicou que os artefactos que explodiram eram compostos por pólvora e estavam cheios de rolamentos e estilhaços de metal, que teriam causado as amputações.

Notícia corrigida às 17h07 de 17/04/2013 Retira informação de que o pai de Martin estava a correr a maratona. Um porta-voz da família esclareceu nesta quarta-feira que, ao contrário do que a generalidade dos media escreveu na terça-feira, o pai de Martin estava apenas a assistir à corrida e não a participar nela.