SIBS diz que a sustentabilidade da fábrica da Talaris não depende das suas encomendas

Multinacional japonesa pretende encerrar em Junho a fábrica de Torres Vedras, a última que existe na Europa.

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A SIBS e a Caixa Geral de Depósitos eram clientes da fábrica de Torres Vedras pedro cunha

A entidade presidida por Vítor Bento afirma que “a sustentabilidade da fábrica da Talaris em Portugal não depende da SIBS, mas sim da sua capacidade de diversificar a carteira de clientes, nomeadamente através de vendas no mercado externo, o que a empresa até aqui e aparentemente não conseguiu fazer”.

Em resposta a um pedido de esclarecimento do PÚBLICO, enviado ontem à noite, já depois do fecho do artigo publicado na edição impressa, a sociedade presidida por Vítor Bento refere que “o facto de a Rede Multibanco já estar numa fase de consolidação e amadurecimento, faz reduzir o número de equipamentos a adquirir anualmente”.

O esclarecimento refere que “a SIBS trabalha há décadas com a empresa que agora se denomina Talaris/ Glory, desde o tempo em que, como empresa integralmente nacional, se chamava Papelaco, passando pelo tempo em que foi vendida à multinacional DeLaRue e, mais recentemente, depois ter voltado a ser vendida, agora à multinacional Talaris/ Glory”.

Acrescenta que “como resultado dessa relação e apesar de, além da Talaris, a SIBS trabalhar também com os três principais fornecedores de ATM [Automated Teller Machine], as máquinas com a marca da empresa em questão representam mais de 60% do actual parque de ATM da Rede Multibanco”.

A entidade gestora refere ainda que “para além destes equipamentos [ATM] a SIBS também tem vindo a adquirir à Talaris serviços de manutenção do parque de ATM da sua rede.

Nova reunião entre trabalhadores e sindicatos na próxima semana
O encerramento do fabrico de máquinas de ATM, e a sua transferência para a China, envolve um despedimento colectivo de 37 trabalhadores, processo já iniciado pela empresa. Para  travar o encerramento, os trabalhadores admitem avançar para a greve mas estão nesta altura a aguardar pelo desenrolar das negociações.

O processo está na chamada fase de informação, tendo havido nesta terça-feira uma terceira reunião entre a administração, os representantes dos trabalhadores e um elemento da Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho.

O Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI) voltou a pedir informação sobre os fundamentos do despedimento colectivo, que considera pôr em risco a sobrevivência da empresa a prazo, avançou ao PÚBLICO Paulo Ribeiro, dirigente daquela estrutura sindical.

Para o sindicalista, presente na reunião, a posição da empresa “veio confirmar que os fundamentos [para o despedimento colectivo e o encerramento da linha de produção de Torres Vedras] são fracos”.

Uma nova reunião está agendada para 9 de Abril, véspera de um novo plenário de trabalhadores onde será feito um ponto de situação.

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