Seguro propõe alternativa para “falhanço” do Governo, Gaspar abre a porta a consensos

Líder socialista avança com cinco propostas. Ministro das Finanças declara estar disposto a negociar.

António José Seguro: “Há um Estado democrático que tem de ser defendido”.
Foto
António José Seguro: “Há um Estado democrático que tem de ser defendido”. Foto: Enric Vives-Rubio

No arranque do debate parlamentar de urgência marcado pelo PS, António José Seguro avançou com cinco propostas “como alternativa para o falhanço das políticas do Governo”. Na resposta, o ministro das Finanças concordou que a prioridade agora é a aposta no investimento e reafirmou a intenção de lançar pontes com os socialistas.

Com uma bancada longe de estar completa, o líder do PS reiterou a sua “agenda para o crescimento” através de medidas como “a captação de investimento estrangeiro”, a “redução do IVA”, “o aumento do salário mínimo e pensões mais baixas”,o lançamento de um plano de reabilitação urbana com eficácia energética”. Seguro propôs ainda a criação de um “programa de emergência para os desempregados”.

Entre as medidas para o financiamento da economia, Seguro defendeu a criação de um banco de fomento e a adopção de uma “estratégia realista” para conter a dívida e o défice. “Mais tempo para fazer diferente e não com as medidas de austeridade”, afirmou o secretário-geral do PS, deixando um aviso. “Esta é a última oportunidade para o Governo mudar o caminho”, advertiu, embora não concretizando um eventual passo seguinte caso não aconteça o que pretende.

Na resposta, Vítor Gaspar reiterou que a prioridade “é agora a recuperação do investimento”, embora sem abrandar o esforço de redução da despesa. O ministro pareceu não ouvir as críticas de Seguro – admitindo apenas o desemprego como um “custo social” das medidas de austeridade  - e falou do período pós-troika. Gaspar defendeu haver “boas bases” para estabelecer consensos, tendo em conta os acordo obtidos na consagração da “regra de ouro” e na lei portuária. E disse partilhar “algumas das sugestões” de Seguro para preparar o pós-troika: “Economia verde e inteligente, a atracção de investimento estrangeiro e a redução de custos de contexto”.

Ministro das Finanças abre a porta a negociar medidas com Seguro
Numa segunda ronda de resposta do ministro das Finanças à oposição durante o debate de urgência, Vítor Gaspar mostrou não ver dificuldade em aceitar “algumas das medidas” propostas pelo líder socialista António José Seguro.

“Já as medidas podem ser alvo de negociação, mas algumas que citou enquadram-se perfeitamente na estratégia do Governo e não são novidade”, disse Vítor Gaspar, sem se referir a qualquer medida. O ministro reiterou a intenção de criar um banco de fomento, uma das medidas propostas pelo PS, e a necessidade de estimular o investimento.

Na intervenção seguinte, o secretário-geral do PS acabou por concordar com o ministro. “Falou em investimento privado. Não podemos estar mais de acordo”, afirmou Seguro, reafirmando a necessidade da criação do banco de fomento e deixando novamente o desafio: “Porque não damos um crédito fiscal a esses empresários [das pequenas e médias empresas]?”.

Notícia actualizada às 11h38, foi acrescentada resposta de Vítor Gaspar na segunda ronda de respostas do Governo.