Portugueses vão criar detector para reactor de fusão nuclear

Reactor de fusão nuclear em construção em França, que imitará o que se passa no interior do nosso Sol, terá um dos seus sistemas concebido por equipa coordenada por cientistas do Instituto Superior Técnico.

O reactor de fusão nuclear procurará imitar o que se passa no interior do Sol
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O reactor de fusão nuclear procurará imitar o que se passa no interior do Sol NASA

Um consórcio internacional, liderado pelo Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, ganhou um contrato de 8,5 milhões de euros para desenvolver um sistema para o Reactor Internacional Termonuclear Experimental (ITER, na sigla inglesa), em construção em Cadarache, França.

O sistema é para detectar e controlar a posição do plasma, que vai ser produzido no reactor através da fusão de átomos, à semelhança do que acontece no interior das estrelas. O plasma é um dos estados da matéria em que os átomos de um gás aquecidos a alta temperatura perdem os seus electrões e todo o gás se transforma numa mistura homogénea de núcleos positivos e electrões negativos livres, que se movem rapidamente.

O ITER – que será o primeiro dispositivo no mundo capaz de manter uma reacção de fusão nuclear durante vários minutos e de gerar quantidades consideráveis de energia – não deverá estar pronto antes de 2020, segundo as últimas indicações. Entre os parceiros do reactor está a União Europeia, os EUA, o Japão, a China e a Rússia.

“O plasma deve ser posicionado para que não toque nas paredes da câmara de vácuo, uma vez que, devido ao seu elevado conteúdo energético, danificaria os materiais”, explica ao PÚBLICO Bruno Gonçalves, que lidera o consórcio, juntamente com Paulo Varela, ambos do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN). O consórcio inclui ainda um instituto espanhol e outro italiano.

Nos próximos quatro anos, o IPFN e os outros elementos do consórcio vão desenvolver um sistema de detecção e controlo da posição do plasma baseado na radiação de microondas e que funcionará de maneira semelhante a um radar. “Este sistema emite um feixe de microondas que é reflectido pelo plasma, onde ocorrem as reacções de fusão nuclear. Medindo a diferença de tempo entre a emissão e a recepção, conseguimos determinar a posição do plasma”, explica Bruno Gonçalves.