Vítor Bento: Portugal tem tido um ajustamento mais suave que outros países

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Foto: Nuno Ferreira Santos

Portugal não tem alternativa à austeridade e até tem tido um ajustamento suave em comparação com outros países, nomeadamente, os resgatados. Esta foi a mensagem deixada esta manhã, em Lisboa, pelo Conselheiro de Estado Vítor Bento, actual presidente da SIBS, no encontro promovido pela consultora AT Kearney.

O economista disse concordar com o FMI na defesa da desvalorização fiscal para estimular o sector exportador e o sector de produção de bens substitutos de importações.

Entre os críticos da TSU “não vi ainda ninguém aparecer com uma alternativa concreta e destinada a promover o crescimento económico”, disse Vítor Bento, que admitiu poder discutir-se a sua eficácia. Para este economista “a necessidade de crescimento tornou-se uma 'mantra' do discurso, mas não vi nenhuma medida concreta destinada a promover o crescimento e julgo que a medida apresentada pelo Governo, da TSU, tinha isto em vista”.

“Toda a gente que diz que há alternativa à austeridade, mas ninguém apresentou outras medidas”, argumentou o economista. Vítor Bento desafiou os críticos da austeridade a “colocarem em cima da mesa alternativas concretas, realistas e exequíveis. Mas ainda não as vi”.

Em seu entender “o processo de ajustamento macroeconómico português até está a ser mais suave do em vários países”, entre eles os resgatados. Exemplificou: Desde 2008, altura em que se iniciaram os programas de ajustamento em vários países, o PIB português caiu 7,5%, enquanto o da Grécia derrapou 17,5%, o da Letónia 12%, o da Irlanda 10%. Já o PIB espanhol, notou Bento, apesar de só agora ter iniciado um programa de ajustamento caiu 5%.
Portugal “não tem alternativa à austeridade” e terá de viver de acordo com a riqueza que produz, defendeu Vítor Bento. “E não há volta a dar. “ Adiantou ainda não ver “alternativa” à austeridade, embora reconheça que se pode “discutir qual é a composição”. “Mas, acima de tudo, há que reconsensualizar essa necessidade”. Vítor Bento observou ainda que “não foi por falta de despesa e de financiamento que Portugal não cresce, pelo que temos de cortar na despesa do Estado.”

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