Entrevista ao jornal Die Welt

Passos Coelho revela dúvidas sobre regresso aos mercados em 2013

Passos Coelho disse que não sabe se Portugal regressará aos mercados em Setembro de 2013
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Passos Coelho disse que não sabe se Portugal regressará aos mercados em Setembro de 2013 Nelson Garrido

O primeiro-ministro revelou dúvidas, numa entrevista ao jornal alemão Die Welt, sobre o regresso de Portugal aos mercados em 2013 e lembrou que se for necessário está garantida a ajuda financeira do FMI e da UE.

“Eu não sei se Portugal regressará aos mercados em Setembro de 2013 ou mais tarde. Naturalmente que eu quero isso mas, se por qualquer razão que não tenha a ver com a aplicação do programa, isso não funcionar, então o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE) manterão a ajuda a Portugal. Já deram garantias disso”, disse Pedro Passos Coelho.

Na entrevista publicada hoje, o chefe do Governo português defendeu que “não é claro que isso possa significar um segundo plano de ajudas”.

“Eu não vejo motivos para que isso aconteça, mas é claro que desde a cimeira europeia de Julho de 2011 há uma garantia de ajuda desde que os programas sejam implementados com sucesso”, afirmou.

Referindo-se ao “ruído” criado “em redor de Portugal” quando foi debatida a situação na Grécia, o primeiro-ministro lamentou que existam “muitos preconceitos” para com o país.

“Há muitos preconceitos, no entanto, a nossa dívida pública, segundo o FMI, é melhor do que a da Irlanda ou a da Itália, o que pouca gente sabe”, afirmou.

O chefe do Governo frisou ao jornal alemão que “a sustentabilidade da dívida pública portuguesa está garantida” e defendeu que o país está “no rumo certo”.

Questionado sobre a atuação do PS, Passos Coelho disse que os socialistas “naturalmente que querem agora outros caminhos de aplicação do programa, com mais impulsos ao crescimento e menos poupança”.

O chefe do Governo disse ainda que os portugueses “compreendem porque é que o Governo faz isto tudo e não responsabilizam ninguém no exterior por esta situação”.

“Naturalmente que não gostam das consequências, mas dão o seu apoio”, acrescentou.

Negando que Portugal esteja a criar uma “geração perdida”, o primeiro-ministro admitiu que os jovens “estão a pagar um preço alto”, mas disse estar certo de que “serão os primeiros a beneficiar com a recuperação de Portugal”.

Notícia actualizada às 12h30
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