Crise

Lagarde alerta para perigo de a economia global cair numa grande depressão

Lagarde pede um reforço do poder de fogo da assistência financeira na zona euro
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Lagarde pede um reforço do poder de fogo da assistência financeira na zona euro Foto: Thomas Peter/Reuters

A economia mundial enfrenta um momento decisivo e requer da Europa mais empenho dos seus líderes para superar a crise das dívidas, considera a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertando para o perigo de a economia global resvalar para uma grande espiral recessiva.

Lagarde, que falava em Berlim na véspera de o FMI revelar as suas previsões para a economia mundial, diz que serem necessárias “três coisas para restaurar por completo a confiança dos investidores: um crescimento mais forte, barreiras protectoras contra o risco sistémico mais altas e uma integração mais profunda”.

Se não forem tomadas medidas, insistiu, retomando o alerta que fez em Dezembro, a economia global pode “deslizar facilmente para uma situação como a de 1930, em que a confiança e a cooperação colapsaram e os países se viraram para si mesmos”.

Para Lagarde, em última análise, uma situação semelhante poderia “levar a uma espiral recessiva” de grandes proporções ao ponto de “engolir todo o mundo”.

A zona euro, diz Lagarde, deve dotar-se de um “poder de fogo mais vasto”, o que implicaria um aumento dos recursos disponíveis do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira (MEEF) para empréstimos em países em dificuldade.

Para combater a crise, Lagarde diz ser preciso cerca de 500 mil milhões de dólares “em recursos adicionais de empréstimo” por parte do FMI.

Lagarde, que foi até ao ano passado ministra das Finanças de Nicolas Sarkozy, os planos para um pacto orçamental na zona euro – aberto a outros países da EU – deverão ser acrescidos por uma acção comum dos países membros face aos riscos financeiros, nomeadamente através da emissão de obrigações europeias.

A líder do FMI defendeu ainda uma maior flexibilidade temporária da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), para ajudar os países do euro com dificuldades de acesso aos mercados financeiros, ou que só se conseguem refinanciar pagando altos juros.