Nobel da Economia em Portugal

Stiglitz avisa que reformas estruturais não vão resolver a crise actual

Flexibilidade laboral, “sinónimo de diminuição de salários”, agrava a recessão, diz Stigliz
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Flexibilidade laboral, “sinónimo de diminuição de salários”, agrava a recessão, diz Stigliz Foto: Nuno Ferreira Santos

O prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz, que participou hoje num congresso em Lisboa, avisa que as reformas estruturais não vão resolver a crise actual e podem mesmo agravar os problemas no curto prazo.

O economista, que tem sido particularmente crítico sobre as políticas de austeridade seguidas por vários países europeus, como Portugal, avisa também que as reformas estruturais – que têm sido apontadas pelos líderes europeus e pela troika como essenciais para restaurar a competitividade e o crescimento das economias debilitadas – não são a resposta certa à crise da dívida.

“Algumas reformas estruturais são necessárias, mas não é provável que resolvam o problema da crise da divida nos próximos anos”, afirmou Joseph Stigliz, durante o Congresso da Distribuição Moderna, organizado pela Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que decorreu ontem e hoje em Lisboa.

O prémio Nobel da Economia avisa que as reformas estruturais demoram tempo e que não resolvem os problemas actuais, que são sobretudo do lado da procura. E, pior do que isso, podem mesmo agravar esses problemas.

Joseph Stiglitz dá como exemplo as medidas para aumentar a flexibilidade do mercado laboral, que estão a ser aplicadas em vários países, como Portugal. “Muitas vezes, essas políticas são sinónimo de diminuição de salários, e isso, num ambiente já contraccionista, só agrava a recessão”, avisa o economista. Stiglitz relembra mesmo o caso dos Estados Unidos, que têm um dos mercados laborais mais flexíveis, mas que não têm tido, também, um bom desempenho nesta crise. As reformas estruturais “não vão resolver a crise actual”, conclui.