Resposta à oposição alemã à participação do BCE

FMI prepara empréstimo de até 600 mil milhões de euros à Itália, diz "La Stampa"

Christine Lagarde, directora-geral do FMI
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Largade afirma que não se demite do FMI Foto: Aly Song/ Reuters (arquivo)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está a preparar um plano de emergência para a Itália, num montante entre 400 mil milhões e 600 mil milhões de euros, noticia hoje o jornal italiano La Stampa.

Este dinheiro poderá ser emprestado ao país, para permitir ao Governo dispor de uma janela de 12 a 18 meses para pôr em prática as reduções orçamentais e reformas económicas destinadas a reforçar o crescimento, “pondo de lado a necessidade de refinanciar a dívida”, diz o La Stampa no seu site, citando responsáveis do FMI que não identifica.

O FMI garantiria taxas de 4% a 6% para este empréstimo, abaixo das obtidas por Roma nos mercados de crédito, onde as taxas para os empréstimos a Itália em obrigações a dois e cinco anos já ultrapassaram os 7%. As taxas implícitas às transacções de obrigações a dez anos nos mercados secundários (onde há revenda destes títulos) voltaram a ultrapassaram os 7% na última semana, o que é considerado incomportável a prazo.

A dimensão deste empréstimo é no entanto de tal monta que não permite ao FMI recorrer aos seus recursos habituais, estando a ser estudadas várias possibilidades, desde a emissão de direitos especiais de saque a uma eventual participação do BCE, que no entanto seria garantida pelo FMI, avança o jornal.

O cenário de se conceber um plano de auxílio financeiro desenhado especificamente para a Itália “está a ser encarado devido à oposição de Berlim a um papel mais importante do BCE na ajuda aos países em dificuldades, pois permitiria vencer as resistências da Alemanha se o empréstimo fosse feito sob o estrito controlo do FMI”, considera La Stampa, num texto do seu correspondente em Nova Iorque.

O jornal diz que isto acontece porque a pressão sobre a dívida europeia, com o aumento dos juros da França e um leilão de títulos alemães que ficou sem procura, fez com que no FMI se gerasse a convicção de que a Itália era o país a apoiar para evitar um colapso do euro.