Centrais sindicais acusam Governo de manipular números da greve e admitem nova paralisação

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Carvalho da Silva e João Proença estiveram fizeram juntos o balanço da greve geral Pedro Cunha

O Executivo estima que 43.592 funcionários públicos tenham aderido à greve geral, o equivale a uma taxa de 10,48%, mais significativa do que a estimada de manhã (3,6%). A Administração Central reúne os vários ministérios e os serviços e fundos autónomos (como, por exemplo, institutos, universidades, hospitais, entre outros).

De acordo com os dados disponibilizados no site da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público, havia ao final da tarde 296 serviços desconcentrados ou periféricos da Administração Central encerrados devido à greve, o que equivale a 12,28% do total.

Na última greve, que tinha sido exclusiva da função pública, a 19 de Maio, a adesão tinha sido de apenas 0,13%, de acordo com os dados do Governo. No entanto, na greve geral do ano passado, que se realizou também a 24 de Novembro, o Executivo estimou a adesão dos funcionários públicos em 28,61%.

O ministério da Justiça é aquele que regista maior taxa de adesão à greve (36,06%), seguindo-se o das Finanças (29,37%), o da Saúde (25,46%) e o da Solidariedade e Segurança Social (14,94%). Os ministérios menos afectados foram os da Educação e Ciência (1,55%) e da Despesa Nacional (com 3,27%), segundo as contas do Executivo.

“Nunca assistimos a tanta manipulação”

Numa conferência de imprensa conjunta, Carvalho da Silva, da CGTP, e João Proença, da UGT, acusaram o Governo de manipular os números. "É uma vergonha que ultrapassa todos os limites da decência", afirmaram, referindo-se ao facto de o Governo ter dito que em muitos serviços a adesão foi de zero trabalhadores.

"Nunca assistimos a tanta manipulação", sublinhou João Proença, que questiona como é que o Governo fez o levantamento, desafiando o Executivo a dizer quantos funcionários públicos foram trabalhar. Os sindicalistas reforçaram que grande parte dos portugueses do sector privado não foi trabalhar. "Foi uma greve com um sinal fortíssimo contra o empobrecimento do país", disse Carvalho da Silva.

No seguimento desta greve, os secretários-gerais das centrais sindicais desafiam o Governo e o patronato a encetar um verdadeiro clima de diálogo social na concertação. "Querem clima de diálogo ou conflitualidade social?", questionam. "Não queremos, mas se o Governo nos empurrar faremos outra greve geral", disse Proença.