Data é a mesma da parasilação de 2010

Greve geral a 24 de Novembro coincide com votação na especialidade do OE

Data escolhida é igual à da greve geral de 2010
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Data escolhida é igual à da greve geral de 2010 Daniel Rocha

A CGTP e a UGT confirmaram hoje que a greve geral conjunta contra a austeridade se vai realizar dia 24 de Novembro. A data é a mesma em que as sindicais realizaram uma paralisação geral no ano passado, mas o seu simbolismo, diz João Proença, secretário-geral da UGT, tem só a ver com o facto de coincidir com o primeiro dia da votação na especialidade do Orçamento do Estado (OE) nessa quinta-feira.

A data foi confirmada esta manhã no Conselho Nacional da CGTP e no Secretariado da UGT e depois anunciada pelas duas sindicais em conferências de imprensa separadas. Mais do que longas explicações sobre o simbolismo da data, os secretários-gerais Manuel Carvalho da Silva e João Proença apontaram baterias contra as medidas de austeridade e criticaram as linhas gerais do OE para 2012.

Carvalho da Silva apelou à participação na terceira greve geral que as sindicais promovem em conjunto que diz ser “contra o aumento da exploração e do empobrecimento”.

“Consideramos ignóbil uma campanha que está em curso no país que quer fazer acreditar os portugueses que estas políticas são inevitáveis e que a credibilidade do país se produzirá pelo empobrecimento da sua população e pela ruína de Portugal”, afirmou.

João Proença, por seu lado, disse que “o dia 24 de Novembro não é escolhido por nenhuma razão simbólica, é escolhido porque nesse dia se inicia, na Assembleia da República, a votação na especialidade das alterações ao Orçamento”. O documento é votado na generalidade a 3 e 4 de Novembro, estando marcada a votação na especialidade para 24, 25 e 28 (a votação final é a 29).

As medidas inscritas no Orçamento do Estado que o Governo apresentou na Assembleia da República esta semana “ultrapassam tudo aquilo que eram previsões” da UGT e essa, disse, é a razão do envolvimento da UGT na acção de protesto. “Os sacrifícios têm que ser distribuídos de uma maneira justa”.

Para Proença, o aumento do horário de trabalho em meia hora por dia no sector privado “é uma medida que foi anunciada em simultâneo com o Orçamento de Estado para o Governo não apresentar aquilo que, na prática, seria uma medida do OE, que era a redução da Taxa Social Única e as devidas compensações [subida da taxa normal de IVA, que se mantém inalterada nos 23%]”.

Carvalho da Silva apelou à participação na greve, a terceira paralisação geral promovida entre UGT e CGTP, dizendo tratar-se de uma greve “contra o aumento da exploração e do empobrecimento”. “Consideramos ignóbil uma campanha que está em curso no país que quer fazer acreditar os portugueses que estas políticas são inevitáveis e que a credibilidade do país se produzirá pelo empobrecimento da sua população e pela ruína de Portugal”, afirmou.

Carvalho da Silva criticou ainda “a imagem de renascer das cinzas” que diz que o Governo tenta passar aos portugueses pedindo sacrifícios e centrando as políticas económicas na austeridade para o país regressar ao crescimento em 2013. “È um absurdo” e “uma posição que não se pode aceitar”, declarou.

A greve geral será a terceira promovida entre as duas sindicais, depois de, em Novembro do ano passado, a CGTP e a UGT terem, passado 22 anos, voltado a organizar uma paralisação em conjunto. A 24 de Novembro de 2010 terão participado na greve cerca de três milhões de trabalhadores, segundo números das centrais sindicais que o então Governo de José Sócrates contestou na altura.

Desta vez, as sindicais decidiram reunir para concertar acções de luta logo que o primeiro-ministro antecipou algumas medidas de austeridade previstas no Orçamento do Estado para 2012 – os cortes (integrais ou parciais) nos subsídios de Natal e férias que vão afectar cerca de um milhão e meio de pessoas em 2012 e 2013.

Notícia actualizada às 17h39