Biodiversidade

Creoula em missão científica entre as ilhas Desertas e os ilhéus das Formigas

As ilhas Desertas estão entre os destinos da expedição científica
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As ilhas Desertas estão entre os destinos da expedição científica Foto: Carlos Lopes/arquivo

Este ano, as atenções voltaram-se para as ilhas Desertas, refúgio da foca-monge, a 22 milhas da Madeira, e para os ilhéus das Formigas, a norte da ilha de Santa Maria, nos Açores. Pelo meio, o Funchal e o Porto Santo também serão alvo das atenções dos biólogos. Tudo para inventariar a biodiversidade marinha, numa expedição que parte hoje de Lisboa, a bordo do navio Creoula, da Marinha, e se prolongará até 25 de Julho.

A caminho das ilhas, o Creoula fará uma paragem no porto de Leixões, onde no sábado estará aberto às visitas do público. Quem quiser pode visitar o antigo bacalhoeiro à vela, construído nos anos 30, que andou pela Terra Nova e Gronelândia.

Organizada pela Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM), a expedição continuará o trabalho iniciado no ano passado, quando a biodiversidade das ilhas Selvagens, a 163 milhas a sul da Madeira, foi inventariada de forma exaustiva. Além de equipas em terra, que inventariavam a fauna e flora marinhas na zona entre marés, a expedição às Selvagens contava com equipas de mergulhadores que desciam até aos 25 metros de profundidade e com o veículo submarino Luso, tripulado à distância.

Desta vez, nem o Luso, nem o navio que o alberga, o Almirante Gago Coutinho, participam na missão. Nem a caravela Vera Cruz, da Associação Portuguesa de Treino de Vela, que transportou muitos dos participantes. Mantém-se agora o Creoula, para onde regressarão as equipas de biólogos e mergulhadores, depois do trabalho de amostragem e inventariação, e aí terá lugar a triagem e identificação dos exemplares recolhidos. Quando os ilhéus das Formigas estiverem sob o escrutínio dos cientistas, juntar-se-á ao Creoula o navio Arquipélago, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

Mantêm-se também os objectivos: os dados recolhidos na campanha serão logo introduzidos no M@rbis - Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha, coordenado pela EMAM, tendo em conta recomendações do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

A ideia é enriquecer o M@rbis, cuja informação, inserida com as coordenadas geográficas da fauna e flora, servirá de apoio à decisão política, em particular na extensão ao meio marinho da Rede Natura 2000, rede europeia de áreas a conservar.

Com a participação de mais de 170 cientistas de várias instituições, estudantes e mergulhadores, ao longo de mais de um mês, a campanha continuará ainda, pelo terceiro ano, o programa Professores a Bordo, destinado a quem ensina biologia e geologia no ensino secundário. Este ano, duas professoras poderão ver de perto a ciência tal e qual se faz no terreno e depois transmitir tudo isso aos alunos. Enjoos incluídos.