Primeira tentativa britânica de pôr um preço na natureza

Floresta e vida selvagem do Reino Unido valem 34 mil milhões de euros por ano

Os benefícios de viver perto de um espaço verde são estimados em 341 euros por pessoa, por ano
Foto
Os benefícios de viver perto de um espaço verde são estimados em 341 euros por pessoa, por ano Foto: Katarina Stoltz/Reuters

As florestas, rios, lagos, animais e plantas do Reino Unido dão todos os anos ao país benefícios estimados em 34 mil milhões de euros, revela hoje o relatório realizado por 500 especialistas para, pela primeira vez, tentou pôr um preço nos ecossistemas.

De acordo com a avaliação dos benefícios económicos, sociais e para a saúde dos Ecossistemas do país (National Ecosystem Assessment, NEA), as zonas húmidas nas regiões do interior trazem benefícios para a qualidade da água avaliados em 1,7 mil milhões de euros por ano.

Os insectos polinizadores valem 490 milhões de euros anuais para a agricultura britânica e os benefícios de viver perto de um espaço verde são estimados em 341 euros por pessoa, por ano, devido à disponibilidade para fazer exercício e para apreciar a natureza.

“Enquanto no passado as pessoas pensavam que cuidar do Ambiente implicava custos financeiros adicionais, este estudo mostra que existem razões económicas reais para salvaguardar a natureza”, defendem os autores do relatório, coordenado por Bob Watson e Steve Albon. Não o fazer poderá custar, anualmente, 22,7 mil milhões de euros, estimam os especialistas.

O estudo que olhou para o estado dos serviços oferecidos por oito habitats diferentes - incluindo o mar, zonas húmidas e florestas – alerta que um terço dos bens naturais do Reino Unido está em perigo de desaparecer, às mãos da negligência ou degradação.

Por exemplo, os espaços verdes urbanos estão a registar um declínio acentuado, alerta o relatório, com duas mil páginas.

“Existe uma necessidade urgente de gerir melhor os nossos ecossistemas e os recursos naturais que eles nos oferecem”, comentou Bob Watson, cientista principal no departamento governamental Defra (Departament for Environment, Food and Rural Affairs). “Este trabalho apresenta formas para medir o valor destes serviços e a forma como vão afectar o nosso futuro se não tomarmos as decisões certas”.

O relatório salienta que “a tendência para nos concentrarmos apenas no valor de mercado de recursos que podemos usar e vender – como a madeira, colheitas agrícolas e pescado – levou ao declínio de alguns ecossistemas e habitats, através da poluição, sobre-exploração e conversão de solos”.

O estudo foi financiado pelo Defra e teve o apoio das autoridades escocesas e irlandesas. Segundo o jornal “The Guardian”, o Governo britânico deverá apresentar nas próximas semanas o seu Livro Branco do Ambiente Natural, onde deverá ser tido em conta este estudo.

“O mundo natural é vital para a nossa existência, dando-nos bens essenciais como alimentos, água e ar puro. Mas nem sempre os benefícios culturais e para a saúde têm sido bem apreciados porque os temos de graça”, comentou Caroline Spelman, secretária do Ambiente.