Maior acelerador de partículas começou a fazer física a sério

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Cientistas comemoram o registo das primeiras colisões de partículas Denis Balibouse/Reuters

“Agora estamos em colisão. Os detectores estão a recolher dados continuamente”, disse Steve Myers, director de aceleradores e tecnologia do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em Genebra. “Estamos todos muito emocionados e felizes.”

O LHC já tinha atingido um recorde de energia a 19 de Março, quando chegou aos sete teraelectrões-volt, ou TeV (3,5 TeV por cada feixe de protões). Até agora, esta é a maior concentração de energia jamais alcançada pelo homem, mas ainda fica a metade da potencialidade final da máquina.

Até Dezembro de 2011, o LHC estará a funcionar a metade da sua potencialidade, recriando no entanto já as condições de temperatura e densidade de energia no início do Universo, nos primeiros milionésimos de segundo após o Big Bang, há 13.700 milhões de anos. Depois, irá parar por 13 meses, para ser preparado para passar dos sete para os 14 TeV.

No Pavilhão do Conhecimento, ao longo do dia de hoje, a transmissão em directo da experiência está a ser comentada por vários físicos, como Gaspar Barreira (LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas), Jorge Dias de Deus, Jorge Romão ou Gustavo Castelo Branco (todos do Instituto Superior Técnico). E, a partir do CERN, participam os cientistas Ana Henriques e André David por videoconferência.

Todos responderão às perguntas do público sobre os mistérios da matéria e do Universo e como o LHC, que é um túnel de 27 quilómetros, em forma de circunferência, a 100 metros de profundidade, poderá ajudar a desvendá-los. Em discussão estarão a matéria escura, buracos negros, antimatéria ou o bosão de Higgs, a partícula que se espera vir finalmente a encontrar no LHC e que explicará por que todas as outras têm massa.