"Sonho de uma noite de Verão" até dia 14 de Abril no Porto

Um clássico de Shakespeare na comemoração do 60º aniversário do Teatro Universitário do Porto

"Aquário" foi uma das peças representadas pelo TUP no ano passado
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"Aquário" foi uma das peças representadas pelo TUP no ano passado DR

“Sonho de uma noite de Verão” foi a peça escolhida pelo Teatro Universitário do Porto (TUP) para marcar os seus 60 anos de existência. A companhia de teatro amador reúne estudantes e ex-estudantes, pessoas que colocam o teatro entre os livros e a rotina do dia-a-dia.

A ideia da companhia levar a cena um clássico da literatura mundial surge depois de um passado marcado sobretudo pela representação de peças de dramaturgos contemporâneos. De acordo com a encenadora, Rosa Quiroga, a representação da peça de Shakespeare, pretende “dar uma abordagem lúdica e teatral”, que apostou sobretudo na performance das personagens.

O texto de “Sonho de uma noite de Verão", rico em metáforas, permitiu ao elenco apostar na representação, aquilo que a encenadora define como uma “acrobacia das palavras”. O facto dos actores serem na sua maioria estudantes e antigos estudantes, ajudou também à interpretação da obra do dramaturgo inglês, que como explicou a encenadora, têm já uma maior maturidade e compreensão sobre a obra.

A peça que estreou ontem foi o resultado de um trabalho de 4 meses de trabalho que marcam também o fim de um curso iniciático no TUP, que acontece a cada dois anos. Através de um financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian e do apoio logístico dado pela Universidade do Porto (UP), o grupo contrata formadores profissionais para leccionar as aulas. Este ano foram professores no TUP Catarina Lacerda (interpretação), Rosa Quiroga (práticas teatrais), Anabela Sousa (movimento) e Patrícia Brandão(voz).

Apesar destes apoios, a vice-presidente do TUP Constança Carvalho Homem, admite que o número de participantes está a diminuir cada vez mais, facto que atribui à maior “pressão académica” e à falta de disponibilidade dos actores: “há 20 anos as pessoas não tinham uma grande vida académica, levavam o teatro mais a sério, havia mais tempo”. Para a vice-presidente, “o TUP só vive porque há o curso de formação e a vontade das pessoas”.

A opinião de Constança é corroborada pelos membros do TUP, que por diferentes motivos, que vão desde a pressão académica e profissional ao problema da falta de remuneração - uma vez que se trata de um teatro amador -, não têm tanta disponibilidade para a companhia, e a maioria não vê o teatro como profissão futura, e se vê, pensa numa actividade remunerada exercida em paralelo.

Daniel Viana, finalista do curso de Ciências de computadores da Faculdade de Ciências da UP entrou para o TUP este ano e pretende continuar a carreira no teatro ao mesmo tempo que exerce outra actividade na área da licenciatura. “Estou a tirar este curso para ter uma base de salário e ser actor em paralelo”. O caso do estudante da Faculdade de Ciências é diferente do de Bárbara Sá, licenciada em Antropologia, que não vê o teatro como profissão, mas como uma actividade que faz por prazer. Na mesma situação está também Carla Capela, escultora e professora, neste momento a tirar um mestrado em artes visuais intermédias, que optou também pelo teatro amador, sem ter em vista uma carreira profissional.

A peça vai estar no TUP até dia 14 de Abril, na sede da companhia situada na Travessa de Cedofeita, no Porto.