Escola da Pontinha, dos arquitectos Cristina Veríssimo e Diogo Burnay, premiada com Wan Award

O projecto criado a partir de pavilhões pré-existentes, teve um preço de construção "incrivelmente baixo, tendo em conta a elevada qualidade final", factor que pesou na decisão do júri. Nesta quinta edição, o desafio lançado aos arquitectos foi o de criar propostas ajustadas à conjuntura económica.

O projecto da Escola Secundária Braancamp Freire do atelier Cristina Veríssimo e Diogo Burnay Arquitectos (CVDB), conquistou o Wan Award 2013, na categoria de Educação, anunciou na sexta-feira a organização.

A Escola Secundária na Pontinha foi criada a partir de uma série de pavilhões existentes, transformados numa única unidade, cujo preço de construção ficou em 798 euros por metro quadrado, um valor “incrivelmente baixo, tendo em conta a elevada qualidade final”, destacou o júri. Na decisão também pesou a “harmonia criada a partir do projecto anterior para o novo design”, e a “simplicidade e robustez” da construção final.

Os pavilhões remontam a 1986, sendo que o projecto de reabilitação do edifício original do do atelier Cristina Veríssimo e Diogo Burnay Arquitectos (CVDB) se inseriu no Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário (P.M.E.E.S.), implementado pela Parque Escolar (E.P.E.).

O arquitecto Diogo Burnay explicou ao PÚBLICO que com este projecto quis apresentar uma “proposta que partisse dos edifícios existentes que estavam dispersos e os agrupasse, através de uma construção nova em torno de uma praça central", que denominou de ‘learning square’.”

O baixo custo de construção foi apontando pelo júri do Wan Award 2013 como uma das mais-valias do projecto. Para conseguir esse orçamento reduzido, os arquitectos apostaram em materiais que dispensam acabamentos. “Por exemplo foram usadas paredes em betão à vista e blocos de betão acústico, que não precisaram de mais acabamento. As paredes não precisaram de ser estucadas nem pintadas”, disse ao PÚBLICO, Diogo Burnay. Para além de as infra-estruturas estarem à vista, são resistentes e de fácil manutenção, sublinhou o arquitecto. Foram ainda instalados sistemas de ventilação natural que permitem que o edifício aqueça e arrefeça sem estar dependente de sistemas eléctricos: “São grelhas colocadas nas fachadas em pontos estratégicos do edifício que permitem que o ar circule”.

Nalguns espaços, como os corredores e escadas, as paredes em betão e os blocos de cimento foram pintadas de cores vivas. Peter Barrett, um dos júris do concurso, realçou no projecto esse“uso inteligente da cor”.

A esse nível, Diogo Burnay, co-autor do projecto ao lado de Cristina Veríssimo, destacou a participação do arquitecto João Nuno Pernão como sendo fundamental. No estudo que fez para a escola, o arquitecto especializado na aplicação da cor em Arquitectura, teve a preocupação de introduzir a cor como “potenciadora de momentos especiais” para os alunos em alguns lugares da escola como as salas de estudo, o auditório e as zonas de circulação. Escreveu na memória descritiva do projecto, o “dinamismo cromático” desses lugares contrasta com o “ambiente quase acromático” das salas de aulas, que promove a concentração necessária à aprendizagem.

Esta é a primeira vez que o atelier CVDB Arquitectos, criado em Lisboa em 1999, se candidatou aos Wan Awards. O concurso, que recebeu 82 projectos de todo o mundo nesta área, tinha desafiado os arquitectos a apresentar propostas que se ajustassem à actual conjuntura económica.

Sendo organizados pela publicação internacional dedicada à arquitectura World Architecture News, os Wan Awards distinguem projectos nas áreas da Educação, Saúde, Comunidade, Transportes, Comercial, Retalho, Residencial e Interiores & Design.

Na quinta edição do concurso, o júri distinguiu, na categoria de educação, um projecto acabado - a escola em Portugal - e um projecto ainda não concretizado de um jardim de infância, idealizado pelo atelier esloveno Modular Architects.

 

 

Notícia actualizada às 22h00 com declarações do arquitecto ao PÚBLICO
 
 

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