Para sempre emigrantes, fura-vidas, precários, cães danados – por causa da América e da civilização que por lá se fez à estrada quando ainda nem estrada havia. Para enfrentar o Portugal de hoje, o Teatro Experimental do Porto vai ali matar o primeiro capitalista e já volta. Casa Vaga está no Rivoli para consumar mais uma utopia.

Há uns anos, Benjamin Verdonck teve uma conversa com um amigo num bar em Berlim que terminou com a seguinte conclusão: o melhor que um artista pode fazer é retirar-se graciosamente. Precisamente o que experimenta em notallwhowanderarelost, que agora chega ao Porto e a Lisboa.

Esta também é uma história de terrores nocturnos, de fotografias a preto e branco, de refeições abandonadas a meio deixando no prato uma carnificina e do silêncio intransponível que se abriu como um abismo entre a geração que fez a Guerra Colonial e a geração que nasceu logo a seguir. O que é que o pai não te contou da guerra? estreia-se hoje no Porto.

J.B., o pequeno-burguês universal que deve o seu nome tanto ao Job dos impossíveis sacrifícios bíblicos como a uma dopante marca de whisky, vive a vida futura no presente. A partir de hoje, o protagonista da nova peça de Jean-Pierre Sarrazac, em estreia mundial no Teatro Nacional São João, chegou ao fim das possibilidades. Não chegámos todos?

Atirando-se ao seu primeiro autor clássico na pele de encenador, Manuel Wiborg faz de O Pequeno Eyolf uma peça em que tudo acontece em torno de uma criança ausente. E assim se fala da ruína do casamento numa alta burguesia que mantém as suas convenções a qualquer custo.

Escrita pelo argumentista de A Rainha, Peter Morgan, a peça The Audience, que dramatiza os encontros entre a a soberana e sucessivos primeiros-ministros, estreia-se este domingo na Broadway, após ter feito sucesso em Londres

Imergindo no primeiro livro de W. G. Sebald, Do Natural, Miguel Loureiro encena no Teatro São Luiz, em Lisboa, a leitura de um texto atravessado pela busca do autor alemão atrás de sinais de uma catástrofe em marcha.