Este Pílades é uma produção dos dois teatros nacionais, São João e Dona Maria II, três se concordarmos com a opinião que a Cornucópia é o verdadeiro teatro nacional. Teatro mais oficial não há

Nove dias em Setembro para mostrar teatro, mas também para olhar o destino colectivo do Brasil nos Olhos. No Mirada - Festival Ibero-americano de Artes Cénicas houve política, dúvida e perguntas sobre a democracia brasileira.

Quim Barreiros, Nel Monteiro, Mónica Sintra ou Ágata são levados para terras da canção jazz ou pop/rock por Bruno Nogueira e Manuela Azevedo. Deixem o Pimba em Paz, depois de várias datas pelo país, apresenta-se quinta e sábado nos Coliseus de Lisboa e Porto. Sem querer salvar ou crucificar a chamada música pimba.

O Teatro Nacional de S. João estreia hoje Pílades, de Pier Paolo Pasolini, numa encenação de Luís Miguel Cintra. Pasolini recuperou Ésquilo para falar da Itália do pós-guerra. O encenador da Cornucópia recorre a Pasolini para falar do Portugal de hoje.

Faz um longo caminho, esta parte de Lisboa: dos pátios do povo às escadas do poder, das ruas estreitas onde viveu e morreu uma geração de imigrantes cabo-verdianos aos condomínios fechados da nova gentrificação. Pelo terceiro ano consecutivo, o Festival TODOS – Caminhada de Culturas aventura-se Rua de São Bento abaixo, exibindo uma cidade que ainda não está totalmente no mapa.

Escuela, a peça de Guillermo Calderón que esta sexta-feira chega a Lisboa via Próximo Futuro, é uma história secreta da violência muito latino-americana com que a esquerda chilena acreditou poder matar a ditadura de Pinochet à queima-roupa. Mas também é a história de um teatro disposto a fazer o que a democracia boicotou – justiça, e pelas suas próprias mãos. Por contraponto, e depois de tantas visitas, apetece perguntar ao teatro português: de que é que tu estás à espera?

Há palavras de uso delicado no teatro português. Não são ditas entredentes, mas entre sorrisos de auto-ironia e auto-censura. Enquanto isso, no Chile, uma geração que pouco viveu das ditaduras quer fazer as suas revoluções a partir do teatro. E nós? Estamos mais atrás ou mais à frente?

O Teatro Griot mostra como um preso do apartheid pode ser várias pessoas, a partir de terça-feira, no Teatro do Bairro, em Lisboa. As Confissões Verdadeiras de um Terrorista Albino, dirigido por Rogério de Carvalho, adapta ao teatro as memórias do escritor e activista Breyten Breytenbach.