John Romão termina uma trilogia dedicada à obra de Pasolini com Pocilga, na Culturgest, em Lisboa. De 15 a 17 de Janeiro, Julian procura nos porcos um abrigo para a degradação humana posta em marcha pelo capitalismo. Tudo tratado com uma higiene que apenas sublinha a imundície.

Ao lançar imigrantes desenraizados nos seus lugares de origem, os aparelhos de Estado condenaram-nos a uma morte, se não física, pelo menos social. Ressuscitar, como parecem fazer neste espectáculo, é teatral de sobra.

A delicada construção deste Museu SAAL, mais um dirigido por Joana Craveiro, mostra tudo: o actor, os moradores do Bairro do Leal, a história desde antes do 25 de Abril, o presente. Não só mostra como, ao mostrar, age sobre a memória e talvez a transforme.

Finalizando a sua fuga do Cais do Sodré, Mónica Calle abre as portas da sua Casa Conveniente na Zona J. A Boa Alma, com texto de Luís Mário Lopes e música de JP Simões, é um espectáculo assombrado por Brecht e pela deriva da actriz e encenadora.

John Romão termina uma trilogia dedicada à obra de Pasolini com Pocilga, na Culturgest, em Lisboa. De 15 a 17 de Janeiro, Julian procura nos porcos um abrigo para a degradação humana posta em marcha pelo capitalismo. Tudo tratado com uma higiene que apenas sublinha a imundície.

Assistiram a despejos, ao abandono e à tentativa de privatização da Cavallerizza Reale, casa de uma das principais companhias de teatro de Turim. Mas numa noite disseram basta. Centenas de activistas ocuparam o edifício-património turinense para devolver o teatro à humanidade. E lá continuam.

Ao mesmo tempo que apresenta a um público mais vasto a sua primeira encenação no São Luiz, As Ondas, ocupa o palco do D. Maria II como Roxanne, a mulher que é alvo de toda a poesia de Cyrano de Bergerac. Tanto a dirigir como a interpretar, as suas histórias no teatro contam-se com a voz e com o corpo.

Era um daqueles textos que “tinha guardado no baú para um dia fazer”, e chegou o dia. La Vida es Sueño, de Calderón de la Barca, é a fantasia bilingue que João Garcia Miguel considera adequada a este país encerrado numa torre a um canto da Europa, e que hoje acorda para a vida no palco do Teatro Nacional São João.

Na verdade estamos todos presos num imenso labirinto! Em que também a arte está enredada, quando se propõe assumir um papel de consciência crítica.