PCP rejeita reedição da “geringonça” e propõe salário mínimo nos 1000 euros em Maio

Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, anunciou que a coligação CDU (que junta o PCP e Os Verdes) irá apresentar o programa eleitoral a 25 de Janeiro.

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Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, propôs aumento das pensões para todos os pensionistas LUSA/MANUEL DE ALMEIDA
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A marcar passo para a campanha eleitoral, o PCP colou o PS às políticas de direita e acusou os socialistas de serem responsáveis pelas "consequências que se conhecem nas condições de vida dos trabalhadores e do povo" graças à sua política de "contas certas". Num encontro no Fórum Lisboa, que contou com a presença de Jerónimo de Sousa, ex-líder do PCP, os comunistas e ex-parceiros da "geringonça" fizeram duras críticas aos socialistas e ao "voto útil" no PS alertando que as promessas do PS são "uma ilusão" e "um retrocesso comparável a um voto à direita". Entre as propostas estão a subida do salário mínimo nacional para os 1000 euros já em Maio e aumento de todas as pensões em pelo menos 70 euros.

No discurso de encerramento, o líder comunista, Paulo Raimundo vaticinou que o partido "não embarca nas manobras dos programas mínimos, em que se escolhem meia dúzia de problemas a resolver fazendo vista grossa a tudo o resto que fica a infernizar a vida ao povo e a comprometer o futuro do país". No palco, quase todas as intervenções se centraram na mesma mensagem, que seria repetida pelo líder comunista de que "dar força ao PS é dar votos a uma ilusão" e "é dar força a quem, tal como revelam estes dois anos da sua maioria absoluta, não respondeu nem quis responder aos problemas".

Afastando-se do outrora parceiro político, o PCP avisou que este não era o tempo da reedição da "geringonça". "Não contem com o PCP para alimentar ilusões", declarou Paulo Raimundo. Já antes, o seu antecessor, Jerónimo de Sousa, tinha declarado aos jornalistas que o PCP "não está virado" para a reedição de uma nova "geringonça", "por razões da vida, por razões políticas" e para manter a sua "palavra de honra para com os portugueses". Recorde-se que o PCP elegeu 15 deputados em 2015, mas viu o grupo parlamentar diminuir para seis deputados nas eleições de 2022.

Citando várias vezes as conquistas de Abril e o legado da revolução, Paulo Raimundo pediu que se respondam "aos verdadeiros problemas da juventude" e se ponha "fim à precariedade". "Aumentem-se os salários, criemos condições para que cá fiquem, cá vivam e cá trabalhem e certamente que a vontade da larga maioria, tendo condições para isso é de cá ficarem e tanta falta fazem", declarou. Paulo Raimundo defendeu opções de fundo para travar o roubo causado "pelas ruinosas privatizações, pelas negociatas e pela corrupção que lhe está associada".

O líder do PCP criticou ainda as "novas tentativas de privatizar o que resta de empresas e sectores públicos, como é o caso da TAP, mas também de legalizar amanhã com o nome de lobbying o que hoje é crime de tráfico de influência".

Já antes, num discurso que foi aplaudido de pé, Jerónimo de Sousa afirmou que é preciso "mostrar quanto calculista e enganadora é a manobra do PS" quando agita "o medo da direita" tendo como "único objectivo obter um voto útil, que se tornou inútil para quem o deu". Para Jerónimo de Sousa, os problemas nos direitos e condições de trabalho, saúde, habitação, políticas sociais e desigualdades sociais são responsabilidade do PS, que "adiou a solução dos grandes problemas" do país.

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