Infanta Sofia de Espanha usou vestido alugado para o juramento da irmã

O vestido da marca britânica Erdem pode ser alugado na Borow por 268 euros. Foi uma opção feita também em prol da sustentabilidade ambiental e financeira.

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À frente, o rei Felipe VI com a infanta Sofia, seguidos por Leonor e a rainha Letizia EPA/JUANJO MARTIN
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Da esquerda para a direita: a rainha Letizia e as infantas Leonor e Sofia EPA/BALLESTEROS
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Num momento tão importante como o juramento de fidelidade da princesa Leonor à Constituição espanhola, todos os olhos estavam postos na herdeira do trono, ainda que a mãe, Letizia, e a irmã, a infanta Sofia, também não tenham escapado à atenção mediática. Depois de se especular sobre o vestido da segunda filha dos reis, descobriu-se que se trata de um modelo alugado à plataforma Borow, que também faz envios para Portugal.

O modelo Theola, de padrão floral, com etiqueta da marca britânica Erdem, é feito em seda e com mangas estilo capa ─ uma opção simultaneamente discreta e vistosa q.b., já que não era Sofia a protagonista do dia. Mas, mais do que o estilo do vestido, o que surpreendeu foi ser alugado, em prol da sustentabilidade, não só ambiental, mas também financeira da coroa. É que o vestido pode ser alugado por 268 euros face aos 1770 que custa originalmente.

A peça foi alugada à plataforma espanhola Borow, que empresta roupa de festa durante alguns dias (quatro, seis, oito ou dez) por preços bem mais acessíveis do que os originais. O contacto da stylist da infanta foi feito há três semanas, revela a plataforma ao El País. Foram enviados vários vestidos para o Palácio da Zarzuela para aprovação de Sofia, que preferiu o Erdem.

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A infanta Sofia (à direita) atenta ao juramento da irmã mais velha e herdeira do trono, Leonor BALLESTEROS
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Leonor e Sofia têm uma diferença de dois anos BALLESTEROS

A notícia já está a ter repercussões positivas na marca, avança a fundadora Eva Chen ao mesmo jornal. “A família real é uma referência muito importante na moda. Da Casa Real disseram-nos que têm consciência da sua influência e que sempre apoiaram as marcas espanholas por esse motivo”, conta, lembrando que Letizia sempre foi pioneira na repetição de coordenados. Aliás, para o juramento da filha, a rainha voltou a vestir um vestido azul da Carolina Herrera que já tinha utilizado no ano passado.

Essa é a proposta da Borow, lançada em 2021 e que defende a reutilização máxima de qualquer roupa. E não há nada de complicado no aluguer, algo que já se faz noutros países, como os Estados Unidos, há décadas. Basta escolher a peça, solicitar a data e escolher a duração. O preço já inclui o seguro para pequenos danos e uma lavagem a seco, mas não o envio, que custa oito euros para Portugal. “Queremos limpar a imagem do aluguer de roupa em Espanha e deixar claro que não é necessário ser dono de uma peça de roupa para poder desfrutar dela e exibi-la”, assevera a fundadora.

Entre as marcas disponíveis não faltam nomes bem conhecidos, como Agatha Ruiz de la Prada, Diane von Furstenberg, Jacquemus, Victoria Beckham, Self-Portrait ou Zimmermann. O preço médio de aluguer é 110 euros. “Muita gente diz que, com esse dinheiro, pode comprar um vestido. Sim, é verdade, mas nunca terá a qualidade e o design dos que alugamos. E, além disso, quase todas as mulheres reconhecem que este tipo de roupa só é usada uma vez.”

O objectivo, insistem, “é mudar o modelo de consumo”, para que os vestidos de festa não fiquem esquecidos nos armários. Como tal, as peças são alugadas até ao máximo possível, não ligando a colecções ou a tendências. Quando a qualidade começa a deteriorar-se, são retiradas do catálogo e postas à venda na plataforma de segunda mão, também da Borow.

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A infanta Leonor, o rei Felipe VI, a rainha Letizia e a infanta Sofia EPA/JUANJO MARTIN

Nos últimos anos, sob a alçada de Felipe VI e Letizia, a realeza espanhola tem-se afastado do luxo que sempre a caracterizou — em tempos, vários produtos de excelência, como vinhos, roupa e até peças mobiliário, ostentavam a etiqueta “fornecedor da família real” como garantia de sofisticação, recorda o biógrafo Leonardo Faccio, autor de Letizia, a Rainha Impaciente.

Usar roupas acessíveis, de marcas emergentes nacionais ou de grupos nacionais, como a Inditex, faz com que a rainha não seja apenas “uma imagem de ascensão social”, mas torna-a “uma extensão de outras mulheres”. Além disso, cumpre o propósito de veicular que a realeza não cultiva a ostentação, sobretudo em tempos difíceis para economia mundial.

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