Há cada vez mais britânicos a quererem ficar na UE

“As notícias sobre a morte da União Europeia foram manifestamente exageradas”, conclui o Pew Center num inquérito aos europeus.

Foto
Há hoje uma clara maioria de britânicos que diz querer permanecer na UE Stefan Wermuth/Reuters

O apoio à permanência na União Europeia entre os britânicos subiu para 55%, diz uma sondagem do instituto norte-americano Pew Research Center, divulgada um mês depois da reeleição de David Cameron, o conservador que promete começar a mudar a relação do Reino Unido com Bruxelas antes mesmo do referendo que quer realizar até 2017 sobre a permanência no bloco europeu.

O número dos britânicos que querem manter-se na UE subiu nove pontos percentuais nos últimos dois anos. Há um ano, eram 50% os que diziam desejar permanecer na União; em 2013 apenas 46% partilhavam essa opinião – nessa altura, um número exactamente igual queria sair. O progresso na vontade de permanência é claro, mas ainda são 36% os britânicos que escolheriam abandonar a sua actual relação com Bruxelas e com os parceiros continentais.

Os mais pró-União são os jovens: entre os inquiridos dos 18 aos 29 anos, 69% querem ficar. Já quando a pergunta é feita aos britânicos com mais de 50 anos, 43% respondem que preferiam sair da UE.

Segundo os dados recolhidos e interpretados pelo Pew, “há mais probabilidades de encontrar defensores da permanência [na UE] entre as pessoas mais à esquerda, tal como acontece com os inquiridos que têm uma licenciatura, em comparação com os que não têm um diploma universitário".

Apesar do crescimento do apoio à continuação na União Europeia, os britânicos são os que se mostram mais cépticos em relação ao bloco entre os grandes Estados-membros incluídos no inquérito – para além do Reino Unido, Polónia, Espanha, Itália, Alemanha e França.

Se 51% dos britânicos vêem a UE como “favorável”, são 55% os franceses e 58% os alemães que dizem o mesmo. Com estes dados, Cameron não tem como saber o que sairá do referendo prometidoNa Polónia, o último deste grupo de países a aderir à União, em Maio de 2004, 72% dos inquiridos afirmam-se satisfeitos com esta situação.

Em geral, e depois do efeito da crise do euro “no declínio do apoio à UE e da crença de que a integração económica europeia era boa para cada país”, que atingiram o seu pico em 2013, actualmente, “as opiniões favoráveis sobre a UE e a confiança na eficácia de um mercado único restabeleceram-se nos grandes Estados-membros”. Por isso, o Pew começa a apresentação do inquérito adaptando uma frase do escritor oitocentista Mark Twain e anunciando que “as notícias recentes da morte da União Europeia foram manifestamente exageradas”.

Sugerir correcção
Ler 6 comentários