Este foi o Janeiro mais quente. Há oito meses consecutivos que se batem recordes

Temperaturas estiveram acima da média em Janeiro – batendo mais um recorde –, assim como na média dos últimos 12 meses. Em Portugal foi registada onda de calor mais forte em Janeiro desde 1941.

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Janeiro é o oitavo mês consecutivo a ser considerado o mais quente desde que há registos, de acordo com o programa Copérnico ANNA SZILAGYI/EPA
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O ano ainda há pouco começou e já arrecadou um recorde climático: o mês de Janeiro de 2024 foi o Janeiro mais quente desde que há registos, de acordo com o Serviço de Alterações Climáticas do Programa Copérnico (C3S) da União Europeia. Desde que Junho foi declarado o Junho mais quente, este é o oitavo mês consecutivo que é considerado o mais quente desde que há registos.

Os dados revelados na madrugada desta quinta-feira indicam que as temperaturas médias globais no ano passado foram de 13,14 graus Celsius, o que significa que estiveram 0,70ºC acima da média de 1991 a 2020 para Janeiro. O anterior Janeiro mais quente tinha sido registado no ano de 2020.

A média da temperatura global nos últimos 12 meses (de Fevereiro de 2023 a Janeiro de 2024) é também a mais elevada registada nas contas deste grupo de investigação, estando 0,64 graus Celsius acima da média de 1991 a 2020 (e 1,52 graus acima da média pré-industrial, de 1850 a 1900).

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O fenómeno climático El Niño enfraqueceu no Pacífico equatorial, refere o comunicado do programa Copérnico, mas as temperaturas do ar marinho continuaram em níveis elevados. Durante o mês de Janeiro de 2024, a temperatura média global do mar à superfície atingiu os 20,97 graus Celsius, mais 0,26 graus do que o anterior recorde de Janeiro de 2016. Depois do final de Janeiro, as temperaturas médias diárias do mar à superfície (do paralelo 60ºS ao 60ºN) estão a ser ainda mais elevadas, ultrapassando os valores máximos registados a 23 e 24 de Agosto de 2023.

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Estes recordes de temperatura podem ser amplificados pelo fenómeno natural El Niño, mas surgem num contexto de crise climática em que as emissões de gases com efeito de estufa resultantes da actividade humana levam a um aumento da temperatura na Terra – e a consequências nefastas para quem cá vive. “A única maneira de impedir que as temperaturas globais aumentem é reduzir de forma rápida as emissões de gases com efeito de estufa”, reagiu a vice-directora do C3S, Samantha Burgess, em comunicado. O mesmo é dito pela restante comunidade científica, incluindo nos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

O relatório do Copérnico dá ainda algumas notícias positivas: a extensão de gelo marinho no Árctico “esteve próxima da média”, sendo mesmo o valor mais alto em Janeiro desde o ano de 2009. Já a extensão de gelo marinho na Antárctida foi a sexta mais baixa em Janeiro, estando 18% abaixo da média.

Portugal quente e com ondas de calor

Ainda que no Norte da Europa as temperaturas tenham estado abaixo da média dos últimos anos, Portugal e o resto do Sul do continente europeu tiveram temperaturas bem acima da média.

Em Portugal continental, registou-se em Janeiro uma onda de calor em alguns locais do Norte e centro que foi considerada “a mais significativa observada no mês de Janeiro desde 1941”, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De dia 22 de Janeiro até ao final do mês houve valores de temperatura do ar “muito superiores ao valor médio mensal”.

As ondas de calor em Janeiro não são impossíveis, mas são menos comuns. A onda de calor foi registada em cerca de 30% das estações meteorológicas do continente e, segundo o IPMA, 75% das estações “nunca registaram uma onda de calor neste mês”.

O termo “onda de calor” tem um significado mais técnico do que aquele que é usado coloquialmente. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o conceito de “onda de calor” só deve ser usado quando a temperatura máxima diária é superior em cinco graus Celsius ao valor médio diário num período de referência durante um intervalo de pelo menos seis dias consecutivos.