Portugal aumenta exportação de bicicletas em 20% face a 2022

Aumento em relação ao período homólogo de 2022 mantém a tendência crescente que se tem vindo a verificar nos últimos anos.

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Exportação de componentes para bicicletas aumentou 363% na última década Teresa Pacheco Miranda

O sector das bicicletas arrancou 2023 com um aumento de 20% nas exportações em Janeiro face ao período homólogo de 2022, disse nesta quinta-feira o secretário-geral da Associação Nacional das Indústrias de Duas Rodas (Abimota), Gil Nadais. O representante dos produtores de bicicletas do país realçou ao PÚBLICO o "crescimento muito interessante" da indústria, alavancado no fabrico de componentes e na procura crescente por bicicletas eléctricas. Números que acompanham o crescimento verificado no ano passado.

Portugal exportou bicicletas no valor de 345 milhões de euros em bicicletas no ano de 2022, um aumento de 12% face a 2021, de acordo com o relatório Desporto em números 2022, divulgado esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). As bicicletas corresponderam a quase 60% dos bens desportivos exportados pela indústria portuguesa, que é, desde 2019, a maior produtora europeia de bicicletas.

Mas 345 milhões de euros de que o relatório dá conta são apenas cerca de 42% do valor total exportado pelo sector: entre bicicletas convencionais, eléctricas e componentes, as vendas para o estrangeiro ultrapassaram os 800 milhões de euros.

Este cenário já tinha sido antecipado em Janeiro por Gil Nadais, que reconhecia ao Dinheiro Vivo o “bom momento” e perspectivava um novo recorde histórico de negócio para o exterior. Os números de 2022 e o arranque de 2023 reforçam as tendências dos anos anteriores.

Gil Nadais diz que o fabrico de componentes é “a grande aposta” do sector, que ainda se vê forçado a importar muitas partes. Produzir os componentes em Portugal permite assim criar “mais valor acrescentado”, não limitando a indústria nacional à montagem das bicicletas.

Os números do INE confirmam a aposta: entre 2012 e 2022, a exportação de partes e acessórios aumentou 363%. Passou de um volume de negócio de 52 milhões de euros em 2012 para 188,6 milhões de euros no ano passado.

O crescimento mais acentuado é verificado nas bicicletas eléctricas, que passaram de valer 5,5 milhões de euros em exportações em 2017 (o primeiro ano com registo) para 271 milhões de euros em 2022 – quase 50 vezes mais.

“A tendência europeia é de grande crescimento na área das bicicletas eléctricas. As convencionais nem têm crescido, mas as bicicletas eléctricas e de carga estão com taxas de crescimento enormes”, sublinhou Gil Nadais, acrescentando que cerca de 95% destas exportações são para outros países europeus, com destaque para a Alemanha, os Países Baixos, a Espanha e a França. Apesar disso, o secretário-geral sublinha que o sector está a “procurar diversificar” os seus mercados.

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