Príncipe Harry quer ganhar ao Mail on Sunday, mas não quer ir a julgamento

Há dois anos, a mulher de Harry, Meghan Markle, venceu um julgamento sumário no seu caso de devassa da vida privada contra o jornal da Associated Newspapers.

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No livro de memórias de Harry, Na Sombra, as críticas contra a imprensa são constantes Reuters/Toby Melville

O príncipe Harry tem o objectivo, nesta sexta-feira, de ganhar a sua acção de difamação contra a editora Associated Newspapers sem que o caso vá a julgamento, disse o seu advogado, à medida que o duque intensifica as suas batalhas legais contra a imprensa tablóide.

Harry, o filho mais novo do rei Carlos, processou a Associated Newspapers, no ano passado, por causa de um artigo publicado numa edição do jornal Mail on Sunday, que alegava que o monarca tinha tentado manter em segredo os detalhes da sua luta legal com o Governo britânico por causa dos acordos de segurança.

O Supremo Tribunal de Londres deliberou, em Julho, que o texto do Mail era difamatório, abrindo caminho para Harry avançar com o processo contra uma das maiores editoras de meios de comunicação social britânicos.

O artigo dizia que Harry, de 38 anos, tinha tentado manter em segredo os pormenores da sua luta legal para restabelecer a sua protecção policial, que lhe foi retirada depois de se ter afastado das funções reais em 2020, e que os seus ajudantes tinham então tentado contornar a decisão.

Os seus advogados confirmaram à Reuters que iriam pedir ao juiz Matthew Nicklin numa audiência na sexta-feira para realizar um julgamento sumário, ou seja, uma decisão a seu favor sem a necessidade de um julgamento.

Há dois anos, a mulher de Harry, Meghan Markle, de 41 anos, também venceu um julgamento sumário no seu caso de devassa da vida privada contra o Mail on Sunday por o jornal ter publicado partes de uma carta manuscrita que a duquesa tinha enviado ao seu pai, Thomas Markle.

O casal tem estado envolvido em numerosos processos judiciais contra tablóides desde o seu casamento, em 2018, acusando os jornais de racismo e de os perseguir com a publicação de mentiras.

A intrusão dos meios de comunicação foi, aliás, uma das razões citadas por ambos para justificarem a sua decisão de se afastarem dos deveres reais e se mudarem para a Califórnia.

No livro de memórias de Harry, Na Sombra, e na série documental da Netflix sobre o casal, as críticas contra a imprensa são constantes, mas apimentadas com a ideia de que outros membros da família real terão sido cúmplices com os tablóides.

Até agora, o Palácio de Buckingham não emitiu quaisquer comentários a essas observações.

Harry, oficialmente conhecido como o duque de Sussex, também disse numa entrevista televisiva, em Janeiro, que esperava que a sua acção legal ajudasse a reformar os media, acrescentando que o seu pai tinha descrito isso como "uma missão suicida".