Câmara do Porto quer arrendar cinema Estúdio e abri-lo à cidade

Município do Porto diz estar disponível para custear obras de adaptação do espaço histórico para ser um teatro e local dedicado à música. Proprietários interessados na parceria.

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Sala Estúdio Perpétuo reabriu há cerca de um ano, mas agora poderá ser arrendada pela Câmara do Porto ANDRÉ PUERTAS OLIVEIRA

A Câmara do Porto está a negociar o arrendamento do antigo cinema Estúdio, na Rua de Costa Cabral, para que aquela sala seja um teatro e espaço dedicado à música. A informação foi dada por Rui Moreira durante a reunião de câmara desta segunda-feira, no seguimento de uma proposta de recomendação da CDU sobre a Seiva Trupe, que neste momento tem casa naquele espaço e ficou fora dos resultados provisórios dos apoios sustentados no teatro, revelados recentemente pela DGArtes.

As obras de adaptação do espaço seriam custeadas pela autarquia, especificou o autarca, sublinhando que esse investimento seria, no entanto, para servir várias entidades e não apenas a histórica companhia do Porto: “Esta sala não vai ser para a Seiva Trupe. Vai ser disponibilizada a outras entidades no âmbito do teatro e também da música, que é uma tradição naquele espaço.”

A sala com capacidade para 400 pessoas, inaugurada em 1966 dentro do Centro de Caridade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, reabriu em Outubro de 2021 com um novo baptismo (Sala Estúdio Perpétuo), após 30 anos sem actividade.

Um dos projectos acolhidos foi o da Seiva Trupe, que depois do anúncio dos resultados do concurso da DGArtes anunciou que iria “suspender a actividade”.

Fernando Perpétua, do Centro Perpétuo Socorro, confirmou ao PÚBLICO as negociações com a autarquia, congratulando-se com o interesse demonstrado. Ao garantir as obras do espaço, o município “ganha um conjunto de horas de programação cultural para as oferecer à cidade”, disse, revelando que o público infanto-juvenil deverá ser privilegiado.

O projecto cultural esteve activo na primeira metade do ano, mas esmoreceu na segunda, já devido a estas negociações. Para Fernando Perpétua esta sala pode ser muito útil na promoção cultural na “zona alta da cidade, onde há muita carência de equipamentos.

A CDU, pela vereadora Ilda Figueiredo, levara ao executivo uma proposta de recomendação que pretendia que os vereadores do Porto manifestassem ao ministro da Cultura a sua “preocupação com o futuro do teatro independente na cidade”, com ênfase na Seiva Trupe, apelando ao Governo para que tomasse “as medidas necessárias para a sua defesa e promoção”.

Mas, apesar do apoio e simpatia pela companhia dirigida por Jorge Castro Guedes, manifestado por todas as forças políticas e pelo movimento de Rui Moreira, só o BE concordou com a sugestão dos comunistas.

Rui Moreira anunciou o seu voto contra, dando a garantia de que a autarquia continuaria a apoiar a Seiva Trupe. Além de o concurso do qual a companhia foi excluída estar ainda em fase de audiência prévia e ter, nesta edição, o dobro da verba para apoiar a cultura, o presidente da Câmara do Porto apresentou outra justificação para o seu voto. A exclusão da Seiva Trupe é resultado da avaliação de um “júri independente”, sublinhou, e isso, a seu ver, não deve ser contestado: “Cria uma política de boomerang. É o pior para a cultura. Vira-se contra nós.”

Os argumentos do PS e PSD não andaram longe dos do autarca do Porto. Vladimiro Feliz, da bancada social-democrata, votou contra, sublinhando que o “mérito” deve ser salvaguardado, como é em concursos independentes; já a socialista Rosário Gâmboa absteve-se, corrigindo aquilo que disse ser um erro da proposta da CDU, que dizia que a Seiva Trupe havia sido excluída por “escassez de verbas”: “Não é falta de verba, é o resultado de um concurso.”

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