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Era assim, irreconhecível, a Madeira do século XIX

As 55 imagens que se encontram em exposição no MadeiraShopping, no Funchal, são “das mais antigas que existem da Madeira”. A viagem no tempo concede um vislumbre das regiões do Funchal, Calheta, Câmara de Lobos, Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz, Santa Cruz, Santana e São Vicente.

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Muito mudou na ilha da Madeira desde o século XIX – e as fotografias do fotógrafo decano madeirense Vicente Gomes da Silva (1827-1906), fundador do atelier Photographia Vicente, e do seu filho homónimo revelam isso mesmo. Na segunda metade do século XIX, momento em que foram realizadas as imagens a partir do processo de colódio húmido, a electricidade não tinha sequer chegado à ilha (chegaria apenas em 1897) e as vias de comunicação entre as diversas povoações eram muito deficitárias – embora estivessem em franco processo de expansão e melhoramento precisamente nessa altura.

A Madeira desse período, já famosa entre a aristocracia europeia pelo seu clima temperado e pela sua exuberante biodiversidade, abria-se ao turismo, à exploração científica e era também muito procurada como local de terapia por quem sofria os efeitos nefandos da tuberculose. “A maioria dos visitantes pertencia à aristocracia endinheirada europeia, nomeadamente príncipes, princesas e monarcas que encontrava na Ilha da Madeira um porto terapêutico essencialmente”, pode ler-se no site alusivo à comemoração dos 600 Anos da Madeira. Nascia, nessa segunda metade de século, graças a ingleses e alemães, também a base da rede hoteleira que ainda hoje se mantém.

As 55 imagens que se encontram expostas no Madeira Shopping, no Funchal, são “das mais antigas que existem da Madeira”, refere, em comunicado dirigido ao P3, a organização da exposição. Nelas são visíveis as regiões da Calheta, Câmara de Lobos, Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz, Santa Cruz, Santana, São Vicente e, com enfoque especial, a zona do Funchal. Os trajes e as ferramentas utilizadas pelos madeirenses que figuram nas imagens denunciam a era a que pertencem.

A Paisagem Madeirense do Século XIX, pela Photographia Vicente, patente até dia 20 de Novembro, contém imagens do arquivo de um dos “mais antigos estúdios abertos ao público”, ainda sediado na Rua da Carreira, no Funchal, mas baptizado presentemente de Atelier Vicente’s ou Museu de Fotografia da Madeira. A casa fotográfica fundada pelo bisavô do primeiro director e fundador do PÚBLICO Vicente Jorge Silva (1945-2020) tem mais de 150 anos de existência e contém um vasto arquivo composto por mais de 400 mil negativos, a maioria em suporte de vidro, que se encontra em contínuo processo de restauro e digitalização.

Entrada da cidade, acualmente parte da avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses e da avenida Zarco - 1876-1885
Entrada da cidade, acualmente parte da avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses e da avenida Zarco - 1876-1885 ©Vicente Gomes da Silva, Júnior / Photographia Vicente
Vista da rua Imperatriz D. Amélia e da rua da Ponte de São Lázaro, freguesia da Sé, concelho do Funchal - 1876-1880
Vista da rua Imperatriz D. Amélia e da rua da Ponte de São Lázaro, freguesia da Sé, concelho do Funchal - 1876-1880 ©Vicente Gomes da Silva, Júnior / Photographia Vicente