Um Nobel para a literatura colectiva e íntima de Annie Ernaux

A obra “coerente e radical” com que a escritora francesa de 82 anos vem repensando o feminismo e a luta de classes tornou-a a 17.ª mulher a receber o Nobel da Literatura. Este é o coroar do seu “momento”.

Foto
Annie Ernaux fotografada em 2019 num hotel em Maiorca, Espanha CATI CLADERACA/EPA

Se já havia um “momento” Annie Ernaux, com as novas gerações a entusiasmarem-se e a fazerem bandeira de uma escrita muito pessoal e no entanto colectiva; com o Leão de Ouro do Festival de Veneza do ano passado para o filme O Acontecimento, de Audrey Diwan, adaptação da sua obra homónima de 1999; e com a apresentação no último Festival de Cannes de Les Années Super 8, que co-realizou com o filho, o Prémio Nobel da Literatura atribuído esta quinta-feira ao conjunto da obra da autora francesa é o corolário de um projecto coerente e radical, que conseguiu repensar o feminismo e a luta de classes, e que agora a tornará ainda mais conhecida.

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