João Leão acredita que PIB pode crescer acima de 6% este ano, mas prevê desaceleração em 2023

O turismo e a construção são dois dos sectores que poderão ser mais afectados pelo “forte abrandamento económico”, defendeu o ex-ministro.

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João Leão, ex-ministro da Economia LUSA/TIAGO PETINGA

O antigo ministro das Finanças, João Leão, deu ontem uma entrevista à Agência Lusa, na qual defendeu que, tendo em conta os dados “muito fortes” do primeiro semestre, é “muito provável” que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) possa ainda fixar-se acima da meta de 4,9% esperada pelo Governo.

“Até é possível que fique acima dos 6% de crescimento. É um número muito bom”, disse João Leão. Para 2023, no entanto, a perspectiva do antecessor de Fernando Medina é de desaceleração.

“Não me surpreendia que para o ano houvesse na Europa um forte abrandamento da economia. Já se estima um crescimento — o Banco Central Europeu, a OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico] — próximo dos 0% e não seria surpreendente que houvesse mesmo uma recessão na Europa”, referiu. E acrescentou: “Portugal não deixará de ser afectado” por ser “uma economia muito aberta e muito inserida no mercado europeu”.

O turismo e a construção são dois dos sectores que poderão ser mais afectados pelo “forte abrandamento económico e que será revisto em baixa o crescimento para o próximo ano”, defendeu o ex-ministro.

A nove dias da entrega do Orçamento do Estado para 2023, João Leão explicou que o actual contexto internacional terá impacto na economia portuguesa. As condicionantes a ter em conta vão do abrandamento económico provocado pela guerra, ao aumento da inflação, passando pela subida dos juros, o que colocará o financiamento dos países debaixo da mira dos investidores.

E alertou para o efeito da subida dos preços da energia em Portugal, mas também na Europa. “Os preços de energia levam a uma perda de rendimento muito forte sobre toda a Europa. Estima-se que o aumento dos custos de energia na Europa triplique durante este ano face à média dos últimos três anos e seja um aumento de cerca de 6% do PIB. É um choque brutal, como não acontecia há muitas décadas e que, portanto, gera grandes efeitos económicos, uma certa incerteza e é possível que no próximo ano haja um abrandamento da economia em toda a Europa, com consequências inevitáveis em Portugal”, insistiu o ex-governante.

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