Santana ameaça PS com eleições antecipadas na Câmara da Figueira da Foz, mas diz que não as vai provocar

Presidente da Câmara da Figueira da Foz usa o palco da assembleia municipal para criticar a “debandada” de quatro vereadores do PS e defender eleições autárquicas antecipadas.

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Pedro Santana Lopes preside pela segunda vez à Câmara da Figueira da Foz Rui Gaudencio

O presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, escolheu a reunião da assembleia municipal desta quinta-feira à noite para pedir eleições autárquicas antecipadas num desfio directo à “debandada” de vereadores do PS que suspenderam o mandato pelo período de um ano, alegando “razões profissionais”. Santana não tem maioria na câmara.

A notícia foi avançada sexta-feira pelo Diário das Beiras e confirmada ao PÚBLICO por Pedro Santana Lopes que se empenhou em explicar que pediu eleições antecipadas “no plano dos princípios e dos valores” que defende, e não do ponto de vista político.

Carlos Monteiro, Mafalda Azenha, Nuno Gonçalves e Ana Carvalho são os quatro vereadores que pediram a suspensão do mandato, um ano após terem sido eleitos nas listas do PS.

“Ando na política há muito tempo e nunca vi uma situação destas”, desabafou Santana Lopes ao PÚBLICO, alegando que a “debandada” dos quatro vereadores socialistas - todos os motivos profissionais -, politicamente é uma situação insólita, não é aconselhável e não é bonita”.

“Numa fase como a que atravessamos, importa defender a estabilidade institucional e mesmo a convergência alargada entre as diferentes forças políticas”, acrescentou Santana que foi eleito presidente pelo movimento Figueira A Primeira com 40,39% dos votos, nas eleições de 26 de Setembro de 2021. Santana venceu, mas não te maioria absoluta na autarquia, cujos mandatos dos vereadores estão distribuídos da seguinte forma: quatro pelo lado da candidatura de Santana, quatro pelo PS e um pelo PSD.

“Quero que fique claro perante os eleitores que esta é uma situação grave e que não foi criada por nós e o meu movimento nada fará para provocar eleições antecipadas, mas gostava de ouvir o líder da bancada do PS [João Moura Portugal]”, desafiou Santana, frisando que “quem criou esta situação é que é responsável”.

Para o autarca independente, uma situação destas podia justificar ouvir os eleitores e foi isso que defendeu numa das suas contas do Facebook.

“Na Assembleia Municipal de hoje [ontem] disse que a raríssima situação ocorrida com a suspensão de todos os quatro eleitos para a vereação pelo Partido Socialista, no plano dos princípios, podia justificar ouvir os eleitores. Mas disse também que era uma reflexão pessoal, no plano dos valores e regras que defendo para situações normais. Disse, também, em resposta a um pedido de esclarecimento de um presidente de junta eleito pelo PS, que, nas circunstâncias actuais do mundo, da Europa e do país, esse caminho seria irresponsável. Numa fase como a que atravessamos, importa defender a estabilidade institucional e mesmo a convergência alargada entre as diferentes forças políticas”, escreveu.

A deputada Raquel Ferreira, candidata à concelhia do PS da Figueira da Foz, lamenta a saída dos quatro vereadores, mas não vê nenhuma perturbação nisso. “Há pessoas na lista com capacidade de trabalho para assumir responsabilidades no executivo e da parte do PS terão total apoio para tudo o que necessitarem”, garantiu a deputada à Assembleia da República, que interpreta o impulso do presidente da câmara como um teste à “coesão do PS”.

Ao PÚBLICO, Raquel Ferreira não vislumbra “qualquer razão para eleições antecipadas e deixa uma farpa: “Santana Lopes tem de pensar em governar a câmara com os votos que os eleitores lhe deram nas eleições autárquicas”.

Os pedidos de suspensão dos mandatos dos autarcas acontecem em vésperas de o PS disputar eleições internas para as comissões políticas concelhias e distritais gerou algum burburinho nas hostes socialistas.

Ana Carvalho, que foi vice-presidente da câmara, foi a primeira vereadora a pedir a suspensão do mandato, em Abril, seguindo-se Carlos Monteiro, que foi nomeado para vogal da administração do Porto de Aveiro e Figueira da Foz. Mais recentemente, foi a vez de Mafalda Azenha e Nuno Gonçalves, embora ambos tivessem manifestado vontade de sair há já algum tempo junto do partido. Os dois trocaram a autarquia da Figueira da Foz pela Câmara de Montemor-o-Velho. Mafalda Azenha trabalha no gabinete jurídico da autarquia e Nuno Gonçalves é chefe de gabinete do presidente da autarquia, Emílio Torrão.

Os quatro ex-vereadores integraram os executivos camarários liderados por João Ataíde e Carlos Monteiro. Um ano depois de terem sido eleitos foram substituídos por outros elementos da lista, mas sem experiência autárquica. Dos novos vereadores, apenas Diana Rodrigues tem experiência autárquica tendo feito parte do executivo de Carlos Monteiro (2019 a 2021), que substitui João Ataíde quando este foi nomeado secretário de Estado do Ambiente no primeiro Governo de António Costa.

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