Como a cobra preta, as vinhas velhas também têm uma filosofia e os seus vinhos não são bem remunerados

A filosofia das vinhas velhas é outra, é uma filosofia de resistência, é viver de acordo com as suas possibilidades e não com os interesses do dono. Quando são boas, quando têm as castas certas, podem produzir vinhos extraordinários, cheios de riqueza e carácter.

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Nesta vindima, cada litro de vinho de uma vinha velha vai sair ao preço do ouro. ADRIANO MIRANDA

As vinhas velhas são um assunto muito sério. São como a Humanidade: em teoria, é tudo bom, mas vai-se a ver e muitas delas não produzem nada de jeito. Dependem muito da forma como nascem, se o porta-enxerto é pouco ou muito resistente, pouco ou muito produtivo, se as castas são ou não adaptadas ao lugar. Dependem da educação e do trato que tiveram ao longo do tempo, porque, para chegarem a velhas, as vinhas têm de ser mimadas e bem alimentadas. Uma vinha velha não é uma vinha abandonada, como alguns pensam. Uma vinha só é velha porque teve boas fundações e foi tratada com esmero.

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