No Porto, a substituição de abrigos dos STCP vai prolongar-se até ao Inverno

Câmara assegura que ritmo de instalação de 650 equipamentos segue um “cronograma flexível” que pode ser ajustado às necessidades

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Há pontos da cidade onde os abrigos já foram desmontados mais ainda não foram instalados novos equipamentos Paulo Pimenta

Os abrigos de paragem de autocarro na cidade do Porto estão a ser substituídos, numa operação que arrancou em Junho e deverá prolongar-se até ao início do próximo ano. Ao todo, serão instalados 650 abrigos numa intervenção que se espalha pelas paragens da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) em todo concelho e não pesa nas contas do município, uma vez que está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano.

No entanto, o intervalo entre a remoção dos antigos abrigos e a instalação de novos pode criar barreiras, nomeadamente à população mais idosa e a pessoas com mobilidade reduzida e nos dias mais chuvosos ou quentes. Em resposta às questões enviadas pelo PÚBLICO, a Câmara Municipal do Porto (CMP) assegura que “a instalação dos novos abrigos tem um cronograma flexível” e que este “poderá ser ajustado às necessidades”, se forem “sinalizados casos mais críticos devido à privação desses equipamentos”. “A Câmara Municipal do Porto estará atenta e tudo fará para minimizar o impacto da intervenção”, responde o gabinete de comunicação da autarquia.

A substituição está a decorrer a velocidades diferentes: a área interior ao anel da VCI, que corresponde ao lote I da concessão, deverá ter os novos abrigos até ao início de Dezembro. Já na área exterior, que corresponde ao lote II, a operação deve prolongar-se até Janeiro de 2023 sendo que, refere a autarquia, “neste caso, a instalação de novos abrigos decorrerá em simultâneo com a remoção dos abrigos existentes, uma vez que o concessionário é o mesmo”.

Intervenção está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano Paulo Pimenta
Intervenção está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano Paulo Pimenta
Intervenção está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano Paulo Pimenta
Intervenção está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano Paulo Pimenta
Intervenção está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano Paulo Pimenta
Intervenção está incluída no processo de concessão de publicidade em mobiliário urbano Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Os contratos que foram assinados em Março de 2022 por um período de 15 anos, depois do longo e complexo processo do designado “Concessão de Utilização Privativa de Domínio Público Municipal para Instalação, Manutenção e Exploração de Publicidade em Mobiliário Urbano, por Lotes”, deve render cerca de 37 milhões de euros aos cofres da autarquia. Assim, a substituição dos abrigos “não tem qualquer custo para o município”, garante a CMP, que acrescenta que há já 25 equipamentos instalados na área interior ao anel da VCI.

“Pequenos reparos” dos passageiros

A instalação de 650 abrigos representa um aumento em relação aos 569 que existiam previamente. A autarquia explica também que os locais para implantar os equipamentos onde eles não existiam foram identificados através da monitorização dos registos de validação nas paragens onde se verificava um “elevado número de utilizadores”.

Os motoristas da STCP têm ouvido queixas dos utentes, mas o volume não tem sido alto. A garantia é dada pelo coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da STCP, Mário Ramos, ao PÚBLICO. Quando há algum desagrado relacionado com transportes na cidade do Porto, quem conduz os autocarros no Porto é sempre o primeiro a ouvir. Neste caso, “há pequenos reparos”, mas não tem subido de tom, regista Mário Ramos, também ele motorista.

Ainda assim, acredita que os passageiros possam sentir maior desconforto em dias de clima mais desfavorável: ou com a chegada da chuva ou com a subida das temperaturas, sendo que o calor deverá estar de regresso nos próximos dias.

Admite que a intervenção possa causar transtorno. Não só aos passageiros, mas também aos motoristas. Caso o profissional não faça determinada linha com regularidade e passe por um abrigo que já foi desmontado, mas ainda não haja nova estrutura ou esta tenha sido “deslocada meia dúzia de metros”, o motorista perde a referência, descreve o coordenador da CT. Ressalva, no entanto, que as obras para a instalação da Linha Rosa do metropolitano, embora necessárias, causam maior transtorno.

A CMP sublinha que “os novos abrigos vão garantir melhorias significativas ao nível do serviço prestado”.

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