Citrón, a cozinha libanesa que vai a casa em Lisboa

As saudades da cozinha do país onde nasceu levaram o libanês Karim Yafaoui a criar o Citrón, com entregas e take-away para dar a conhecer os “verdadeiros sabores” do Líbano.

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Karim Yafaoui e Virginie Maillard no Citron Nuno Ferreira Santos

Karim Yafaoui tinha saudades da “autêntica cozinha libanesa”, das especiarias, da mistura do doce e do salgado, da “explosão de sabor”. Sabia o que procurava, mas concluiu que o melhor que poderia fazer era cozinhar ele mesmo esses pratos – e, já agora, partilhá-los com todos os lisboetas que também gostem deles ou que simplesmente queiram descobrir do que é que Karim fala.

Libanês de nascimento, mas suíço “por adopção”, veio para Portugal com a família “porque há um clima de que gostamos muito”. Vieram uma primeira vez em Janeiro e em Abril estavam de volta, com malas e bagagens, instalando-se em Lisboa. “Eu trabalhava na banca e a minha mulher [Virginie Maillard] está ligada a produtos de luxo, mas temos uma paixão pela comida”, conta. “Eu dizia ‘é preciso mostrarmos o que é a verdadeira cozinha libanesa’”.

O projecto foi crescendo nas cabeças de ambos e neste momento já é realidade: baseado numa dark kitchen, a Weat, em Alcântara, a Citrón funciona com serviço de delivery (o sonho é poder alargar este serviço à Europa, com comida congelada), e take-away, mas também catering e eventos. Há ainda a possibilidade de comer no local, onde existem algumas mesas, tanto no interior como no exterior. E o casal começou já também a organizar noites temáticas.

Especialidades do Citrón dr
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Para além dos pratos fixos do menu, há pratos especiais nos diferentes dias da semana (o ideal é ir espreitando o Instagram, que podem ser, para citar os exemplos mais recentes, couve-flor com bulgur e vermicelli ou freekeh (cereal feito a partir do trigo verde) e carne ou ainda frango com limão confitado e batatas assadas.

A ideia de Karim é ir testando estes diferentes pratos para perceber quais os que mais agradam e, eventualmente, introduzi-los na carta. “A gastronomia libanesa é extremamente rica”, diz. “Aqui em Portugal, as pessoas não a conhecem bem. Não vamos poder fazer tudo, mas vamos tentar introduzir de cada vez um novo prato, uma nova receita, para mostrar essa riqueza.”

Tem três cidadãs sírias que encontraram refúgio em Portugal a trabalhar com ele no Citrón e garante conseguir aqui praticamente todos os ingredientes de que necessita, com excepção de algumas especiarias. “Vocês têm tomates extraordinários aqui. Na Suíça não se encontram tomates com o mesmo gosto. É algo que nos transporta ao terroir libanês.”

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nuno ferreira santos

A ementa percorre os clássicos da cozinha do Médio Oriente, o húmus, o baba ganoush (pasta de beringela), o tabulleh (salada à base de salsa), os kibe. “Na base da cozinha libanesa está a turca, a otomana”, afirma Karim. “O kibe, por exemplo, nasce pela necessidade. As pessoas pegavam num animal, matavam-no, batiam a carne até ficar mole, misturavam cereais e sal, se encontrassem, e assim tinham proteína e hidratos de carbono.” O que faz a diferença, neste caso, é a mistura de especiarias usada por cada cozinheiro (no Citrón tem, entre outras coisas, melaço de romã).

Um dos pratos de que Karim se orgulha particularmente é o fatteh de carne, que leva carne, iogurte, pão libanês crocante e pinhões. Para acompanhar a comida, criaram uma limonada própria, aromatizada com flor de laranjeira, que vendem em garrafa.

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