Moscatel de mil e uma maneiras

Chama-se Moscatel Experience e o nome não engana ninguém. Neste quiosque que é também restaurante, no centro histórico de Setúbal, trabalha-se em dedicação quase exclusiva ao moscatel. Para beber, mas também para comer.

Foto

O Moscatel Experience ocupa um quarteirão da Praça do Bocage. Assentou arraiais em Setúbal para acabar com confusões e dar visibilidade ao precioso fortificado da região. Se a ideia é conhecer o moscatel nas suas mais diversas variações, utilizações, tonalidades, aromas e sabores, este é o sítio certo.

O quiosque colocado antes da porta do restaurante é o cartão-de-visita da casa e é lá que se tem o primeiro frente-a-frente com uma larga carta de comida e bebida em torno de moscatel de Setúbal.

Também há vinhos tranquilos, maioritariamente da Península, a fazer companhia a mais de uma dezena de cocktails baseados no vinho generoso que dá nome à casa – aqui entram os mojitos, as caipirinhas, os tónicos, os smoothies com redução de moscatel de Setúbal e as sangrias de vários frutos. No que toca à oferta do vinho fortificado propriamente dito, lê-se um discreto “peça a carta ao balcão”. É todo um suplemento, mais de 20 páginas organizadas por produtores.

Fotogaleria

Para acompanhar tudo isto, uma carta que ganha pela ousadia, ao usar o vinho licoroso da terra como ingrediente-estrela de uma série de pratos e petiscos de conforto. Seja no pastel de bacalhau, na bifana ou no chutney de cebola que rega o hambúrguer da casa, não há praticamente nada a sair da cozinha e do bar que não envolva moscatel. Controverso? Talvez. Mas se o objectivo é dar a provar o “ouro líquido” de Setúbal, todas as formas de o fazer chegar ao consumidor são válidas.

Os espíritos mais tradicionais, contudo, também encontram quem os socorra, sobretudo quando se trata de perceber que moscatel casa melhor com que prato. No Moscatel Experience, o pairing de vinhos, licorosos ou não, faz parte do serviço, e dispensa formalidades, basta dizer-se ao que se vem e até onde se está disposto a ir. Na melhor das hipóteses, sai-se com um conhecimento razoável do que se produz na Península, senão com uma série de novas ideias para experimentar em casa. Sem que ninguém se ofenda.


Este artigo foi publicado no n.º 2 da revista Solo

Sugerir correcção
Comentar