Facebook muda oficialmente de nome. Agora chama-se Meta

Mark Zuckerberg anunciou a mudança de nome durante o Facebook Connect, um evento para falar dos projectos de realidade aumentada da empresa.

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Mark Zuckerberg com os óculos da Meta que filmam e tiram fotografias DR

Mark Zuckerberg anunciou que vai mudar o nome da sua empresa para Meta. O objectivo é diferenciar a gigante tecnológica, que desenvolve produtos de realidade aumentada e é dona de várias plataformas online, da rede social Facebook que tem sido alvo de repetidas controvérsias nos últimos anos.

A novidade foi anunciada esta quinta-feira durante o Facebook Connect, um evento para falar dos projectos de realidade aumentada da empresa. 

“Somos vistos como uma empresa de redes sociais, mas no nosso ADN somos uma empresa que cria tecnologia e conecta pessoas”, justificou Mark Zuckerberg. 

Na apresentação da Meta, a empresa mostrou um vídeo em que o WhatsApp, Instagram, Facebook (rede social) e Oculus (empresa de realidade virtual) se juntam para formar o símbolo do infinito. 

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A nova marca, Meta Facebook

“O Metaverso é a próxima fronteira”, continuou Zuckerberg numa referência ao projecto milionário da empresa para criar um mundo virtual onde as pessoas possam falar “frente a frente” através da utilização de tecnologias como a realidade virtual e aumentada. A empresa prevê gastar cerca de 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros) naquele universo ainda este ano. 

O interesse de Zuckerberg nos mundos virtuais começou em 2014 com a compra da startup de realidade virtual Oculus. Três anos depois, a equipa lançou o Spaces, uma aplicação que permitia aos utilizadores da rede social (com equipamento da Oculus) acederem a um universo digital onde tinham um avatar criado com base na fotografia de perfil. Em Agosto deste ano, essa plataforma foi substituída pela Horizon Worlds. Na área do hardware, em 2021, a empresa lançou um par de óculos de sol que permite tirar fotografias, filmar vídeos até 30 segundos, atender chamadas e ouvir música.

“Acreditamos que o metaverso será o sucessor da Internet móvel”, avançou Zuckerberg, que acredita que o projecto se tornará parte do dia-a-dia dos utilizadores nos próximos cinco a dez anos. 

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Com a mudança de nome da empresa, Mark Zuckerberg também se afasta das várias controvérsias em torno da rede social Facebook. Nos últimos anos, a plataforma tem sido alvo de fortes críticas devido ao seu papel na disseminação de notícias falsas e falta de transparência quanto à recolha de dados dos utilizadores.

“O Facebook tem um nome de marca que não está a funcionar”, explicou Patti Williams, uma professora de marketing da Universidade da Pennsylvania, em declarações ao jornal norte-americano Wall Street Journal. “Tanto a nível do produto, como a nível da marca, como a nível da empresa mãe, há muitos sentimentos negativos”, continuou a especialista. “Eles querem claramente começar esta nova direcção estratégica para dizer que são mais do que apenas o Facebook”.

A imagem negativa da rede social intensificou-se em 2018 com o escândalo Cambridge Analytica, a consultora britânica que usou dados de milhões de utilizadores do Facebook, sem autorização, para organizar campanhas políticas em todo o mundo. 

Nesse mesmo ano, as Nações Unidas acusaram a empresa de Mark Zuckerberg de ter um “papel determinante” na violência contra a minoria muçulmana rohingya devido à desinformação a circular na plataforma Facebook. 

O mais recente escândalo é a possibilidade das redes sociais de Zuckerberg estarem a esconder a influência negativa que têm na saúde mental dos adolescentes. A informação faz parte de estudos internos divulgados por Frances Haugen, uma antiga analista de dados do Facebook, que se tornou numa das principais denunciantes da rede social. 

Mark Zuckerberg quer que a Meta tenha uma narrativa diferente. Em Setembro, numa publicação online sobre “construir o Metaverso”, a empresa anunciou um fundo de 50 milhões de dólares (cerca de 42,7 milhões de euros) para garantir que “os produtos são desenvolvidos de forma responsável”.

O mais recente aparelho da empresa, o Cambria, também anunciado esta quinta-feira, será lançado em 2022. São novos óculos de realidade virtual, pensados para o Metaverso, que vêm com sensores para detectar as expressões faciais de quem os usa. Ou seja, se quem usa os óculos está a franzir a testa, o avatar dessa pessoa faz o mesmo no mundo virtual. A empresa acredita que o aparelho vai ajudar as pessoas a perceberem como os outros se sentem quando estão online