Facebook compra empresa de realidade virtual por 1400 milhões

Mark Zuckerberg quer que os utilizadores partilhem “não apenas momentos com os amigos online, mas experiências e aventuras inteiras”.

Os óculos de realidade virtual a serem experimentados na feira de jogos E3
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Os óculos de realidade virtual a serem experimentados na feira de jogos E3 Gus Ruela/reuters

O Facebook anunciou a compra de uma empresa chamada Oculus, que está a trabalhar no desenvolvimento de óculos de realidade virtual. O produto ainda não está pronto para comercialização, mas tem recebido críticas positivas.

A aquisição será feita por cerca de 2000 milhões de dólares (1400 milhões de euros), dos quais aproximadamente 1600 milhões serão pagos em acções. O acordo contempla ainda a possibilidade de pagamento de bónus no valor de 300 milhões de dólares em função do cumprimento de objectivos.

A Oculus é uma startup americana com apenas um ano e meio, que conseguiu os primeiros fundos através do site de financiamento colectivo Kickstarter. O objectivo da campanha era angariar 250 mil dólares, mas a empresa conseguiu 2,4 milhões. No mês passado, angariou 75 milhões de dólares, numa ronda de investimento liderada pela conhecida empresa de capital de risco Andreessen Horowitz.

Esta não é uma aquisição óbvia para uma empresa como o Facebook. As duas companhias reconhecem-no e tentam explicar o negócio.

“À primeira vista, pode não ser óbvio por que é que a Oculus está a entrar numa parceria com o Facebook, uma empresa focada em ligar pessoas, investir no acesso à Internet em todo o mundo e em fomentar uma plataforma aberta de computação”, lê-se no comunicado da Oculus.

“Mas vendo isto com mais cuidado, estamos culturalmente alinhados no objectivo de inovar e contratar os melhores e os mais inteligentes; acreditamos que a comunicação impele as novas plataformas; queremos contribuir para um mundo mais aberto e ligado; e ambos vemos a realidade virtual como o próximo passo”.

As afirmações do presidente executivo do Facebook traçam cenários mais concretos. Num texto publicado na rede social, Mark Zuckerberg escreveu que quer expandir o conceito de realidade virtual para lá dos videojogos: “Depois dos jogos, vamos tornar a Oculus numa plataforma para muitas outras experiências. Imaginem apreciar um jogo num lugar na bancada do court, estudar numa sala de aula com alunos e professores de todo o mundo, ou ter uma consulta cara a cara com um médico – apenas pondo uns óculos em casa. Isto é mesmo uma nova plataforma de comunicação. Ao sentirmo-nos verdadeiramente presentes, podemos partilhar espaços e experiências sem limites com as pessoas da nossa vida. Imaginem partilhar não apenas momentos com os vossos amigos online, mas experiências e aventuras inteiras”.

De acordo com a Oculus, já foram vendidos 75 mil kits de desenvolvimento. Estes kits permitem criar aplicações, conteúdos e aparelhos que funcionam com os óculos. Em Janeiro, o aparelho causou boa impressão na Consumer Electronic Show, o evento mais importante do mundo na área da electrónica de consumo. O jornal Financial Times e os sites The Verge e Engadget estão entre os que classificaram os óculos como o melhor dispositivo daquela feira.

O anúncio da compra, que deverá estar concluída no segundo trimestre, acontece poucos dias depois de a Sony ter revelado que está a trabalhar num protótipo de óculos de realidade virtual para a consola PlayStation 4.